Negociador apontado por junta de Mianmar é visto como 'sério'

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YANGUN - A oposição de Mianmar cautelosamente saudou nesta terça-feira a escolha de um 'ministro das Relações' para agir como negociador entre sua líder, a ícone pró-democracia e vencedora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, e a junta militar que governa o país.

- É um bom sinal. É como deveria ser -disse Nyan Win, porta-voz da Liga Nacional pela Democracia, partido de Suu Kyi que venceu as eleições de 1990 e nunca pode exercer o poder, barrado pelos generais da junta.

- Isso mostra que eles parecem ter ficado um pouco mais pragmáticos.

Embora o intermediário seja apenas vice-ministro do Trabalho, Aung Kyi é uma importante figura do regime e não será apenas um garoto de recados, disseram pessoas que o conhecem. O nome foi anunciado na TV estatal, na noite de segunda-feira.

- Ele é sério, é sênior e já foi mobilizado em situações difíceis antes para resolvê-las - observou um ex-representante da Organização Internacional do Trabalho (OIT) em Yangun.

Depois dos protestos do mês passado contra décadas de governo militar e o aprofundamento da pobreza em Mianmar, o general Than Shwe ofereceu um diálogo com Suu Kyi caso ela encerrasse seu 'confronto' e o apoio a sanções.

Mas críticos afirmam que Than Shwe não teria intenções de conversar com alguém que sabidamente ele odeia e que a proposta destinava-se apenas a aplacar as críticas da comunidade internacional contra a repressão às marchas lideradas por monges e civis desarmados.

Suu Kyi, de 62 anos, está em prisão domiciliar e sem poder se comunicar com o mundo externo há quase 12 dos últimos 18 anos.