Papa e líderes judeus discutem ressurgimento de anti-semitismo

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CIDADE DO VATICANO - Líderes judeus disseram nesta segunda-feira, ao papa Bento XVI, que estão preocupados com o ressurgimento do anti-semitismo e pediram às autoridades do Vaticano que adotem medidas contra o padre extremista da Polônia acusado de dar declarações ofendendo o judaísmo.

Uma delegação do Congresso Mundial Judaico (WJC) comandada pelo presidente da entidade, Ronald S. Lauder, reuniu-se com o papa no gabinete particular de Bento XVI. No encontro, também foram discutidas formas de melhorar o diálogo entre os cristãos, muçulmanos e judeus.

O secretário-geral do WJC, Michael Schneider, afirmou que, entre os assuntos discutidos, constava o problema do ressurgimento do anti-semitismo, especialmente em alguns países europeus.

Em um comunicado, o WJC disse que o grupo pediu ao papa a adoção de medidas contra os membros da Igreja que desejam prejudicar a relação positiva e de proximidade existente entre os cristãos e os judeus.

Durante dois dias de encontros, Lauder afirmou a autoridades do Vaticano que as manifestações do padre polonês Tadeusz Rydzyk não 'deveriam mais ser toleradas', afirmou o comunicado.

Grupos judaicos e de defesa dos direitos humanos acusaram Rydzyk de disseminar o anti-semitismo e de ingerência indevida em questões políticas.

Rydzyk comanda um poderoso império midiático católico, do qual fazem parte da Rádio Maryja e o canal de TV Trwam, cuja audiência soma milhões de poloneses.

O Vaticano repreendeu o padre. Mas Bento XVI reuniu-se com ele em agosto.

A Igreja polonesa ainda não conseguiu chegar a um acordo sobre o que fazer com Rydzyk, temendo que muitos fiéis idosos e pobres afastem-se do culto católico.

Mas no começo deste mês, o cardeal Stanislaw Dziwisz, secretário do papa João Paulo II durante décadas, acusou Rydzyk publicamente de tentar dividir a Igreja e de manchar o legado do pontífice falecido.

Rydzyk conta com o apoio do primeiro-ministro polonês, Jaroslaw Kaczynski, e do irmão gêmeo dele, o presidente Lech Kaczynski. Os dois assumiram ao poder nas eleições de 2005, com a ajuda do padre.