Palestinos e israelenses estão divididos em declaração conjunta

REUTERS

RAMALLAH - Negociadores israelenses e palestinos estão profundamente divididos quanto o conteúdo de um documento escrito em conjunto para a conferência de cúpula marcada para o mês que vem sob os auspícios dos Estados Unidos, disseram autoridades palestinas no domingo.

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, e o presidente palestino, Mahmoud Abbas, evitaram discussões formais sobre a agenda do encontro em uma série de reuniões que precederam a cúpula. Eles nomearam assessores para que determinem os pontos de convergência dos dois países.

As equipes de negociação, que foram apresentadas na semana passada, devem iniciar o diálogo na segunda-feira, mas suas posições divergem drasticamente, refletindo as disputas entre Olmert e Abbas sobre a renovação das negociações de paz, disseram autoridades palestinas.

- Podemos dizer, antes do início das negociações reais, que não há concordância em nenhuma questão até agora - disse o principal negociador palestino, Ahmed Qurie, em entrevista à Reuters.

Um alto assessor de Abbas envolvido nas negociações disse que o presidente palestino e Olmert 'deram instruções divergentes a suas equipes sobre o tipo do documento'.

Os palestinos querem que o documento aborde questões de fronteira, o destino de milhões de refugiados e o status de Jerusalém -- questões definitivas que Israel há muito evita, exigindo que os palestinos primeiro resolvam problemas de segurança.

Mas os dois lados concordaram que as negociações formais sobre o Estado Palestino não devem começar antes da conferência, que deverá ocorrer em meados ou fim de novembro em Washington. Até lá, Israel quer evitar qualquer discussão detalhada.

- A declaração conjunta vai abordar temas centrais. De uma forma geral, mostrará os pontos do acordo que, esperamos, sejam a base das negociações do futuro - disse a porta-voz de Olmert, Miri Eisin.

Em reunião com seu Gabinete no domingo, Olmert falou que 'medidas diplomáticas' em relação aos palestinos seriam 'inevitáveis' e afirmou que trabalhará para que haja consenso entre os israelenses por sua implementação.