Assassinato de jornalista russa continua sem autor

Agência AFP

MOSCOU - Petros Garibian, o encarregado da investigação da promotoria russa sobre o assassinato da jornalista Anna Politkovskaya, afirma que o crime foi elucidado, mas que o assassino ainda não foi indiciado, em uma entrevista ao jornal Novaya Gazeta, onde lamenta o controle das autoridades sobre a condução do caso.

- Onze pessoas foram detidas, mas a lista ainda não foi fechada - afirmou o especialista por ocasião do primeiro aniversário do assassinato, ocorrido em 7 de outubro de 2006.

- Por ora, o assassino não foi indiciado. Mas nós sabemos quem é - acrescentou, sem dar maiores detalhes.

Também se declarou aborrecido com a publicidade dada a este caso e o forte controle das autoridades.

- Dadas as repercussões deste assassinato, era evidente que a investigação se encontraria sob um forte controle do Estado e da sociedade. Isso é muito incômodo, pois as pessoas não se dão conta das especificidades de nosso trabalho e estão dispostas a tirar conclusões - afirmou, também lamentando a falta de meios dos especialistas russos, o que atrasa a investigação.

Em setembro passado um ex-funcionário da administração pró-chechena russa, Shamil Buraev, foi indiciado. Em 27 de agosto, a promotoria já havia anunciado a prisão de dez suspeitos, incluindo membros do ministério do Interior e da FSB (ex-KGB).

Mas alguns foram libertados e o papel de um oficial da FSB não ficou claro, o que alimenta as críticas aos investigadores.

Anna Politkovskaya era uma das raras jornalistas russas que continuava cobrindo o conflito na Chechênia, iniciado em 1999, e denunciava as violações dos direitos humanos.

Segundo o Comitê de Proteção dos Jornalistas (CPJ), a Rússia é o país mais perigoso para a profissão depois de Iraque e Argélia.

O comitê registrou 42 assassinatos de jornalistas em território russo desde 1992, 13 deles desde a chegada de Vladimir Putin ao poder em 2000.