Presidente iraquiano sugere retirada rápida de tropas dos EUA

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BAGDÁ - Pelo menos 100 mil soldados dos Estados Unidos poderão deixar o Iraque e voltar para casa até o fim de 2008, disse o presidente do Iraque, Jalal Talabani, em entrevista no domingo, acrescentando que várias bases militares norte-americanas poderão continuar operando no país.

Em entrevista à rede de televisão norte-americana CNN, Talabani previu reduções de tropas mais rápidas do que as anunciadas por comandantes dos EUA. Mas ele frisou que o ritmo das retiradas seria decidido pelos comandantes norte-americanos e não explicou a razão para seus cálculos.

- Acho que é possível que, no fim do ano que vem, uma grande parte do Exército dos EUA esteja de volta aqui - disse Talabani, durante visita aos Estados Unidos.

- Mais de 100 mil soldados poderão estar de volta até o fim do ano que vem.

Talabani, curdo e ex-guerrilheiro combatente do regime de Saddam Hussein, disse que não estava pressionando pela independência do Curdistão, no norte do Iraque, porque os países vizinhos jamais concordariam.

Ele também expressou confiança no primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, árabe da maioria muçulmana xiita, afirmando que Maliki não é corrupto, apesar das alegações de corrupção em seu governo. "Ele é um homem limpo", disse Talabani.

Os Estados Unidos atualmente têm cerca de 165 mil soldados no Iraque. Sob pressão da oposição democrata e de alguns republicanos por uma retirada das tropas, o presidente George W. Bush aprovou no mês passado um plano para que seu comandante no Iraque gradualmente reduza as forças dos EUA em 20 a 30 mil homens até meados de 2008.

O chefe do Pentágono, Robert Gates, disse esperar por cortes adicionais em torno de 20 mil soldados até janeiro de 2009, quando o próximo presidente assumir o poder. Mas mesmo que isso ocorra, as retiradas somariam apenas metade do número que Talabani mencionou na entrevista para esse mesmo período.