Conselho de Segurança examina condenação a Mianmar

Agência AFP

MIANMAR - O Conselho de Segurança se reúne nesta segunda-feira para examinar um projeto de condenação a Mianmar pela repressão ao movimento pró-democracia, apresentado por Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, que precisa de unanimidade para ser aprovado, mas não é bem visto por China e Rússia.

Os representantes dos 15 países membros se reunirão para analisar um projeto de declaração que condena a repressão violenta aos manifestantes birmaneses e pede a libertação dos presos políticos, incluindo a líder de oposição e prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

O texto - que não é vinculante - foi apresentado na sexta-feira por Estados Unidos, Grã-Bretanha e França aos demais membros do conselho, depois que o enviado especial da ONU a Mianmar, Ibrahim Gambari, apresentou seu relatório.

Os Estados Unidos ameaçaram a junta militar que governa Mianmar com sanções dentro da ONU, incluindo um embargo de armas, caso se recusem a cooperar com o mediador Ibrahim Gambari e continuem reprimindo o movimento de protesto, o mais importante no país asiático nos últimos 20 anos.

Porém, China e Rússia consideram o tema uma questão interna de Mianmar e podem usar o direito de veto para barrar a proposta, como já fizeram em circunstâncias similares em janeiro.

Na ocasião, Pequim e Moscou vetaram um projeto de resolução que pedia à junta birmanesa a libertação dos presos políticos e o fim da violência militar.

Portanto, antes de obter a unanimidade no conselho, o projeto original provavelmente será suavizado a pedido de China, Rússia e talvez Indonésia, consideram os diplomatas.

Uma fonte diplomática ocidental disse que na segunda-feira os especialistas trabalharão sobre uma versão revisada do texto, que depois será submetida aos embaixadores.

Gambari disse na sexta-feira que o conselho era "a chave para levar as autoridades birmanesas à direção que todo o mundo deseja, ou seja, uma Mianmar em paz e democrática, respeitosa dos direitos humanos".

O enviado da ONU garantiu que existe consenso no conselho para considerar que o 'status quo' de Mianmar é "inaceitável".

No entanto, a China - que tem laços estreitos com Mianmar - já deixou claro aos demais membros que pressões sobre a junta militar "levarão ao confronto".

O embaixador da China na ONU, Wang Guangya, pediu na sexta-feira ao Conselho uma "abordagem prudente e responsável do caso".

- Se a situação em Mianmar se agravar por causa de uma intervenção externa, o povo deste país que sofreria as conseqüências - acrescentou.