Acordo pretende mostrar responsabilidade nacional dos líderes xiitas

Agência AFP

BAGDÁ - O acordo entre as duas formações xiitas mais poderosas do Iraque demonstra a ambição dos líderes desta comunidade de firmar sua aptidão para administrar de maneira responsável os assuntos do país, afirmaram neste domingo vários políticos iraquianos.

Este acordo, anunciado no sábado entre o Conselho Supremo Islâmico do Iraque (CSII) e a corrente mais radical de Moqtada al-Sadr, foi definido pelo primeiro-ministro Nuri al-Maliki com a expressão da "responsabilidade nacional" por parte das duas formações que representam a maioria dos xiitas.

O acordo estabelece um pacto de não-agressão entre as milícias dos dois grupos, que contam com milhares de combatentes, e também prevê a criação de comitês locais para resolver eventuais disputas.

Há vários meses a rivalidade se traduziu em enfrentamentos armados e assassinatos e, mais recentemente, em violências na cidade sagrada de Kerbala, ao sul de Bagdá.

Este episódio ofendeu os xiitas, majoritários no Iraque, e que sentem que os confrontos internos prejudicam a aptidão de sua comunidade em transformar sua importância demográfica em uma dinâmica política eficaz.

- Foi por isso que as duas formações compreenderam que lhes era conveniente chegar a um acordo - comentou Mahmud Othman, um deputado curdo. - Acho que a tensão entre os dois lados diminuiu - acrescentou.

A rivalidade entre o CSII e os seguidores de Moqtada al-Sadr se origina principalmente em sua história recente.

O CSII nasceu - sob outro nome - em 1982, em Teerã, como organização que agrupava, sob a batuta da República Islâmica, diferentes formações xiitas iraquianas na luta contra o regime Saddam Hussein.

Seu chefe, Abdel Aziz Hakim, goza da reputação de ter laços estreitos com os dirigentes iranianos, mas foi recebido igualmente pelo presidente George W. Bush, e evita exigir um calendário para a saída do contingente americano.

Já o sadrismo é um movimento social e político de longa data no Iraque, mas que tomou uma nova dimensão depois do aparecimento, em março de 2003, da milícia de Mahdi.

Moqtada al-Sadr, seu chefe, se apresenta como um nacionalista intransigente, abertamente hostil à ocupação americana.

Os Hakim e os al-Sadr pertencem a velhas dinastias xiitas, envolvidas há tempos na vida da comunidade e ligadas, em especial, por alianças matrimoniais.

Os primeiros são tidos como os representantes de uma burguesia urbana e educada, enquanto que os outros têm a imagem de defensores dos pobres.