Familiares de Pinochet deixam a prisão e são agredidos

Portal Terra

SANTIAGO - Os cinco filhos do ex-ditador chileno Augusto Pinochet, assim como 16 assessores - processados e presos na quinta-feira por mau uso de verbas públicas - saíram neste sábado da prisão, assim que a Corte de Apelações de Santiago ratificou a liberdade provisória concedida na sexta-feira.

A mulher de Marco Antonio e o filho de Augusto Pinochet Hiriart, os dois filhos de Pinochet que estavam na prisão Santiago 1, foram agredidos ao sair do local hoje. Familiares de outros presos no local começaram a gritar "Ladrões, devolvem o dinheiro". Logo eles jogaram garrafas e cuspiram nos familiares de Pinochet.

A víuva de Pinochet, Lúcia Hiriart, 84 anos, está desde quinta-feira no Hospital Militar de Santiago, onde foi internada de pois de passar mal ao ser notificada de sua prisão. O centro médico não divulgou nenhum boletim sobre seu estado de saúde, mas ainda não se sabe se ela permanecerá no hospital ou se voltará para casa.

A Quinta Sala do tribunal confirmou por unanimidade o pedido emitido na sexta-feira pelo juiz responsável pelo caso, Carlos Cerda.

- Se aprova a resolução consultada de 5 de outubro de 2007, que concede a liberdade sob fiança dos detidos - destacou presidente da sala, Juan Eduardo Fuentes.

O magistrado leu uma longa declaração na qual informou que por unanimidade a sala havia ratificado a resolução emitida pelo juiz responsável pelo caso, Carlos Cerda, que na sexta-feira concedeu a liberdade condicional à família Pinochet.

O tribunal ratificou o valor de US$ 588 de fiança para a viúva de Pinochet, Lúcia Hiriart, e as três filhas, María Verónica, Jacqueline e Lúcia. No caso dos dois filhos, Augusto e Marco Antonio, e de uma ex-secretária do ex-ditador, o pagamento foi suspenso.

- Marco Antonio, Augusto Pinochet Hiriart e Mónica Ananías ficam excluídos da obrigação de pagar fiança - explicou o juiz.

Os advogados da família pagaram de imediato a fiança, o que possibilita a saída da prisão dos detidos.

As três filhas foram levadas para o Centro de Orientação Feminina (COF), onde dormiram as últimas noites, separadas das outras presas, mas submetidas ao mesmo tratamento de visita e alimentação das outras detidas. Os dois homens foram para a prisão Santiago 1, onde dormiram na mesma cela.

A família do ex-ditador e 17 ex-colaboradores foram processados na quinta-feira por Cerda, que os acusou do crime de mau uso de dinheiro público e desvio de verba para o exterior. Um antigo auxiliar foi liberado mais tarde.

Em sua resolução, o magistrado acusou a família de Pinochet e os ex-assessores de terem construído uma intricada rede financeira para se apropriar de fundos públicos, que foram desviados para contas bancárias no exterior, a maioria no Riggs Bank de Miami e Washington.

No total, a ditadura teria desviado durante 22 anos cerca de US$ 20 milhões. Entre os ex-assessores de Pinochet processados estão dois coronéis do Exército, Juan Mac-Lean e Mortimer Jofré; seu ex-porta-voz, o general da reserva Guillermo Garín; seu advogado de defesa Gustavo Collao e o ex-testamenteiro Oscar Aitken.

A Quinta Sala da Corte de Apelações escutou durante toda a manhã deste sábado as alegações dos advogados de defesa dos acusados.

- É a perseguição política mais implacável da história do Chile, não contra uma pessoa ou regime, mas contra uma família inteira - disse aos tribunais o advogado Pablo Rodríguez, defensor da viúva Lúcia Hiriart.

- No dia de hoje se restabeleceu em parte o império do direito - comentou o advogado Luis Pacull, defensor de Marco Antonio Pinochet.