Trabalho em fábricas de brinquedo da China é brutal, diz grupo

REUTERS

HONG KONG - Um grupo de direitos dos trabalhadores disse ter encontrado 'condições brutais' e violações trabalhistas em oito fábricas chinesas que fazem brinquedos para grandes multinacionais e exortou as empresas a assumirem a responsabilidade pelo baixo padrão.

O grupo China Labor Watch, que tem base nos Estados Unidos, disse em um relatório divulgado nesta terça-feira, após diversos meses de investigação, que as empresas chinesas, que trabalham para empresas globais como Disney, Bandai e Hasbro, dão pouco valor 'aos padrões mais básicos do país'.

- Salários são baixos, os benefícios são inexistentes, os ambientes de trabalho são perigosos e as condições de vida, humilhantes - disse o relatório.

O relatório coincide com um período de crescente observação das exportações chinesas devido a preocupações de segurança, uma semana depois que a Mattel recolheu milhões de brinquedos, incluindo 436.000 carros de sua linha 'Cars', porque poderiam conter quantidade excessiva de chumbo.

A China também foi criticada pela segurança de alimentos, drogas e outras exportações, de pneu a pasta de dente. Autoridades dizem que a vasta maioria das exportações do país atende aos padrões.

O relatório concluiu que 'políticas de visão curta' levam grandes empresas a 'fazerem vista grossa à segurança e ignorarem as condições de trabalho em suas fábricas fornecedoras também'.

- Em vez de se concentrarem em melhorar a segurança dos produtos e as vidas dos trabalhadores, as empresas gastam sua energia criando panfletos bonitos sobre responsabilidade social, contestando relatórios críticos e transferindo a culpa.

A Walt Disney Company International disse que suas afiliadas levam muito a sério alegações de práticas injustas de trabalho e que elas são investigadas e tratadas imediatamente.

- Temos um compromisso firme com a segurança e o bem-estar dos trabalhadores e com padrões de trabalho justos - disse a porta-voz Alannah Goss em comunicado enviado por email.

Não foi possível entrar em contato com a Hasbro e a japonesa Bandai recusou-se a comentar.

Oitenta por cento dos brinquedos vendidos nos EUA, em negócios de 22,3 bilhões de dólares, são feitos na China, disse a China Labor Watch, que promove direitos trabalhistas no país desde 2000.