República Checa erra se aceitar radar dos EUA, diz Rússia

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MOSCOU - O principal general russo disse na terça-feira que a República Checa cometerá 'um grande erro' caso aceite a instalação de um novo sistema norte-americano de proteção contra mísseis em seu território. Ele pediu que Praga adie sua decisão até que os Estados Unidos elejam um novo presidente.

A República Checa está analisando a instalação de uma estação de radares que seria parte do novo escudo antimísseis dos EUA, criado para interceptar e destruir mísseis de 'Estados párias', como Irã e Coréia do Norte, mas que a Rússia vê como uma ameaça à sua própria estabilidade.

- Dizemos que será um grande erro do governo checo colocar este radar em território checo - disse Yuri Baluyevsky, chefe das Forças Armadas russas, a jornalistas após encontro com o ministro checo da Defesa, Martin Bartak.

- Uma decisão será tomada pelo lado checo apenas após a avaliação de todas as condições, técnicas e outras - disse Baluyevsky. - Eu e meus colegas russos simplesmente pedimos que esse processo continue até outubro/novembro de 2008 (quando ocorrem as eleições presidenciais nos EUA), e acho que todos imaginam por quê.

Ele acrescentou: - Não excluo que um novo governo nos EUA vá reavaliar as decisões do atual governo a respeito da defesa antimísseis.

Na prática, a instalação do escudo antimísseis significa a entrada efetiva da Otan em países que no passado fizeram parte do Pacto de Varsóvia --ou seja, implica que a aliança militar ocidental está levando seu poderio bélico para mais perto da Rússia.

Bartak salientou que o governo checo ainda não tomou uma decisão.

-O mais importante que posso dizer é que ainda não demos a palavra final a respeito disso e não daremos até que exploremos todas as avenidas.

Baluyevsky fez seus comentários no 39o aniversário da invasão das forças do Pacto de Varsóvia na então Checoslováquia, para esmagar a Primavera de Praga, movimento reformista dentro do regime comunista.