Refém por 8 anos diz 'ter pena de seqüestrador'

Agência JB

BARCELONA - A jovem austríaca que passou mais de oito anos em um cativeiro disse em uma longa entrevista exibida nesta segunda-feira por uma emissora de televisão da Áustria que seus "sentimentos de pena pelo seqüestrador aumentaram desde que conseguiu fugir".

- Eu tenho cada vez mais pena dele - disse Natascha Kampusch, na cidade espanhola de Barcelona, onde passa férias junto com a irmã.

A jovem ainda disse que lamenta a morte de seu algoz, Wolfgang Priklopil.

- Ele era apenas uma pobre alma perdida. O que ele me fez foi além do aceitável, algo que não desaparece e que sempre volta nos meus pensamentos. Eu tento trabalhar e viver com isso da melhor maneira possível - acrescentou.

Natascha disse, porém, que procura não guardar nenhuma mágoa pelo acontecido.

- É como se eu apertasse uma esponja até cair a última gota. Foi o que fiz durante oito anos e é o que estou fazendo agora. Não quero ter nenhuma energia negativa. Não se pode pagar maldade com mais maldade - disse. Natascha ainda disse que não consegue confiar nas pessoas, quase um ano após ter reencontrado a liberdade.

- Ainda vai demorar muito para que eu consiga confiar em alguém - disse.

A austríaca, que desde sua libertação sempre procurou manter uma certa distância da imprensa, concordou em participar de um programa especial neste primeiro aniversário de sua fuga, que se completa na quinta-feira, com a condição de que fosse o último.

- Eu quero que meu caso e eu mesma sejamos levados a sério, que estes acontecimentos não sejam varridos para debaixo do tapete - afirmou a jovem.

Segundo Natascha, sua recuperação depois do seqüestro tem sido positiva, apesar de ela ainda sofrer suas conseqüências.

- No início, eu sempre me assustava quando alguém falava comigo ou quando ouvia um barulho alto. Agora, estou melhorando sucessivamente, mas ainda sou um pouco assustada e sofro de problemas circulatórios - afirmou a jovem.

Com informações da BBC Brasil.