Putin: Rússia deve manter condição de potência aeronáutica militar

Agência AFP

JUKOVSKI, RÚSSIA - O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta terça-feira que a Rússia deve manter seu domínio no setor da aeronáutica militar.

- Devemos ter como objetivo manter nossa posição dominante na produção de tecnologia aeronáutica militar. A Rússia, que dispõe de novas capacidades econômicas, dará atenção extra ao desenvolvimento de tecnologias modernas - declarou Putin ao inaugurar o salão aeronáutico Maks em Jukovski, sudeste de Moscou.

A indústria aeronáutica russa, desmembrada depois da queda da URSS, quer retomar sua posição entre os primeiros construtores mundiais.

Para isso, os principais fabricantes do setor (Sukhoi, Irkut, Iliuchin e Tupolev) se uniram no ano passado sob a tutela do holding público russo UAC (Companhia Aeronáutica Unificada Russa).

Moscou tenta voltar a construir aparelhos civis que possam ser exportados, como seu projeto de avião regional Superjet, que lhe facilitará entrar para o clube em pleno desenvolvimento da aviação regional, dominado agora pela brasileira Embraer e pela canadense Bombardier.

A Rússia dispõe de uma grande frota de aviões de assalto e helicópteros e na semana passada anunciou o reinício das patrulhas de seus bombardeiros estratégicos de amplo campo de ação, com uma base permanente, como na época da ex-URSS.

Isto significa que a Rússia terá permanentemente mobilizados bombardeiros capazes de transportar mísseis nucleares.

Esta medida, com a qual Moscou pretende fortalecer seu status internacional, suscitou preocupação entre os países ocidentais, diante da possibilidade da volta aos tempos da Guerra Fria.

Ao contrário da aeronáutica civil, a indústria militar não teve problemas para manter suas exportações durante os difíceis anos 90.

O salão Maks servirá para apresentar os últimos modelos de caças e mísseis antiaéreos de fabricação russa. A exposição, a oitava deste tipo realizada no mundo, está em plena expansão e cresceu 33% em relação à última edição realizada há dois anos.

Este ano, estão presentes 540 empresas russas e 247 de mais de uma centena de países.

Após a abertura, Rússia e Indonésia assinaram um contrato para a venda de seis aviões de ataque Sukhoi por um valor estimado entre 330 e 335 milhões de dólares.

O mercado mundial de aviões militares, em plena expansão, gera a cada ano entre 25.000 e 27 bilhões de dólares.