Furacão Dean ainda ameaça costa do México

REUTERS

CHETUMAL, MÉXICO - O furacão Dean atingiu na terça-feira a costa caribenha do México, levando fortes ventos a balneários onde dezenas de milhares de turistas e moradores se protegiam em abrigos.

Embora tenha perdido força e sido rebaixado para a categoria 3, após atingir o topo da escala (categoria 5), o furacão ainda ameaçava com seus fortes ventos e chuvas, alertaram meteorologistas.

O Dean atingiu a categoria 5 na segunda-feira, ao tocar a costa mexicana, perto da Costa Maya, um porto de navios de cruzeiro perto da fronteira com Belize. O furacão já matou 11 pessoas em sua passagem por ilhas do Caribe.

Chetumal, cidade com 150 mil habitantes perto do local onde o Dean chegou nesta terça, ficou sem energia devido à queda de postes e árvores, provocada pelos ventos constantes de 265 quilômetros por hora, com rajadas de até 320 quilômetros por hora.

O estacionamento no subsolo de um hotel ficou repleto de hóspedes da cidade, devastada em 1955 pelo furacão Janet.

O famoso balneário de Cancún, mais ao norte, escapou quase ileso, mas mesmo assim turistas e moradores buscaram abrigo. Dezenas de milhares de visitantes fugiram da cidade no fim de semana.

O Centro Nacional de Furacões dos EUA disse que este foi o primeiro furacão da categoria 5 a atingir a terra firme na bacia do Atlântico desde o Andrew, em 1992.

O Dean começou a perder força ao passar sobre a península do Yucatán, e seus ventos caíram para cerca de 200 quilômetros por hora.

O Centro de Furacões prevê que o Dean continuará perdendo força, mas ainda deve ser um furacão ao sair da terra e entrar na baía de Campeche, onde a Pemex (estatal mexicana de petróleo) desativou todos os seus 407 poços de gás e petróleo, o que significa uma perda de produção de 2,65 milhões de barris de petróleo bruto por dia.

Fortes chuvas atingiram também Belize, uma ex-colônia britânica com cerca de 250 mil habitantes e uma famosa barreira de corais.

Em Playa del Carmen, México, os turistas se espremem em um hotel que serve de refúgio para cerca de 400 pessoas. Há até 12 hóspedes por quarto.

- Podemos ficar dois ou três dias sem água ou eletricidade - disse a turista italiana Emanuela Beriola, 41 anos, que estocou latas de carne, atum e energéticos.

Furacões da categoria 5 são raros, mas em 2005 houve quatro deles, inclusive o Katrina, que devastou Nova Orleans. O aumento nas tempestades nos últimos anos dá força à tese de que o aquecimento global provocado pela atividade humana está contribuindo com a formação de ciclones tropicais.

Soldados e policiais mexicanos patrulham a área mais atingida pelo furacão Dean, fiscalizando o cumprimento de um toque de recolher imposto pelo governo.

Na Riviera Maia, que fica na costa leste de Yucatán, os comerciantes vedaram suas vitrines com tábuas, para protegê-las.

Cancún e outros balneários foram devastados em 2005 pelo furacão Wilma, que destruiu praias, matou sete pessoas e deixou prejuízos de 2,6 bilhões de dólares.

O Dean passou raspando pela Jamaica no fim de semana, e mesmo assim os ventos e chuvas causaram deslizamentos e quedas de árvores e postes, além de duas mortes.

Desde que surgiu, a tempestade já matou 11 pessoas no Caribe, sendo quatro no Haiti. Moradores de áreas pobres normalmente são os mais afetados pelos furacões.

O presidente mexicano, Felipe Calderón, deve abreviar sua visita ao Canadá, onde participa de uma cúpula, para acompanhar os trabalhos de emergência.