Gül parte como favorito para a Presidência da Turquia

Agência AFP

TURQUIA - O parlamento turco começa nesta segunda-feira o processo de eleição do novo presidente do país, em uma votação em que o grande favorito é o atual ministro das Relações Exteriores, apesar das críticas que sofre por seu passado islamita.

Gül, do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), surgido do movimento islamita, aspira se converter no 11º presidente de seu país depois da votação no parlamento nesta segunda-feira. Os deputados estão convocados a preencher uma célula secreta para eleger o chefe de Estado, que ocupará o cargo por um período de sete anos não renovável.

O cargo de presidente na Turquia é fundamentalmente simbólico, apesar de ter a faculdade de nomear os funcionários de instituições-chave, como juízes da Corte Constitucional, e de supervisionar as leis aprovadas pelo parlamento.

É pouco provável que Gül seja eleito no primeiro ou segundo turno, já que sua formação não conta com os dois terços requeridos, ou seja, 367 das 550 cadeiras parlamentares. No entanto, o ministro das Relações Exteriores pode ser proclamado presidente na terceira rodada, prevista para 28 de agosto, na qual será necessária uma maioria absoluta de 276 votos.

Na quarta-feira passada, um dia depois do anúncio de sua segunda candidatura à presidência, Gül prometeu ser "imparcial" se for eleito. "Se for eleito, os princípios fundamentais da Constituição serão meus guias. Deixarei minha personalidade política e serei imparcial", declarou Gül, depois de um encontro com dirigentes sindicais tanto da esquerda quanto conservadores.

Apoiando-se em sua vitória nas legislativas de 22 de junho, com 46,5% dos votos, o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP) do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, decidiu manter a candidatura de Gül à presidência.

Erdogan pediu que os turcos se unam a favor da candidatura do chanceler, um ex-islâmico que é seu braço direito e também número dois do AKP. Segundo o primeiro-ministro, a eleição de Gül permitiria um "grande consenso" na sociedade turca, afirmou. "Gül atuará para reforçar os princípios fundamentais de nossa República", entre eles o laicismo, insistiu o primeiro-ministro.

Gul, considerado uma figura respeitada da política turca, promete salvaguardar o laicismo da Turquia oficialmente laica, apesar de 99% de a sua população ser mulçumana.

No entanto, o fato da esposa de Gul usar em público o tradicional véu islâmico tem representado um problema, segundo os setores laicos.

Sobre isso, Erdogan saiu em defesa do ministro, afirmando que se trata de uma "eleição pessoal" e que todo o mundo "deve respeitar este tipo de coisa".

A Turquia sofreu em abril e maio uma grave crise política depois do boicote por parte do principal partido da oposição pró-laica, o CHP, à candidatura de Gul na eleição parlamentar para eleger o presidente. A legenda também acusou a AKP governamental de querer islamizar a Turquia.

Neste clima, milhões de turcos se manifestaram em favor do laicismo no país. O boicote à candidatura de Gul obrigou Erdogan a convocar de maneira antecipada as legislativas, que foram ganhas por seu partido.

O CHP anunciou na terça-feira que vai boicotar novamente a eleição no parlamento do chefe de Estado.