Fundo Global pede atuação de setor privado na luta contra Aids

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SRI LANKA - O médico Michel Kazatchkine, diretor-executivo do 'Fundo Global', organização responsável pelo programa global de combate à AIDS, disse que "os governos do mundo não conseguirão vencer a luta contra a AIDS sozinhos e é hora de o setor privado e a sociedade civil se envolverem mais profundamente nesses esforços".

Ele disse também que deseja ver os doadores se comprometerem com esquemas de financiamento a prazos mais longos para enfrentar a Aids.

- A luta contra a Aids não pode ser vencida apenas pelos países, ela tem de envolver a sociedade civil, que tem de envolver a comunidade atingida pela doença. É preciso mais envolvimento do setor privado - disse Kazatchkine a repórteres durante o Congresso Internacional sobre a Aids na Ásia e no Pacífico. "Precisamos de mais recursos. Mas de mais recursos sustentáveis", acrescentou.

O Fundo Global, criado pelo Grupo dos Oito (que reúne os sete países mais industrializados do mundo e a Rússia), reuniu 11 bilhões de dólares nos últimos quatro anos e meio para serem gastos em programas de prevenção.

Desse total, 7,7 bilhões de dólares já foram destinados a programas de combate a doenças como Aids, tuberculose e malária em 136 países.

- No papel de comunidade internacional, precisamos encontrar uma forma de convencer as pessoas a realizarem comprometimentos que se estendam por períodos de tempo mais longos - afirmou Kazatchkine.

A região do Pacífico asiático tem a segunda maior população de pessoas contaminadas pelo vírus HIV, logo depois da África subsaariana, onde 25,8 milhões de pessoas são portadoras. Mais de 300 mil portadores do HIV morrem todos os anos na região.

O Sri Lanka, onde acontece a conferência deste ano, possui uma das mais baixas taxas de contaminação pela Aids da Ásia, com cerca de 5.000 pessoas portadoras do vírus em meio a uma população de 5 milhões de habitantes.

A Índia, um país vizinho, apresenta, em comparação, a terceira maior população de pessoas contaminadas pelo HIV, vindo depois da África do Sul e da Nigéria. No território indiano, há 2,5 milhões de pessoas com o vírus.