Colombianos esperam que Chávez ajude a soltar reféns

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CARACAS - Parentes de reféns mantidos pela guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) viajaram na segunda-feira à Venezuela para pedir que o presidente Hugo Chávez interceda pela libertação deles.

Chávez se ofereceu para agir como intermediário entre os guerrilheiros e o governo do conservador Alvaro Uribe.

As Farc mantêm há anos sequestrados centenas de policiais, soldados e políticos, inclusive a ex-candidata a presidente Ingrid Betancourt, capturada em 2002. Há também três norte-americanos que participavam de uma missão de erradicação das drogas em 2003.

- Sempre pedimos que uma zona de encontro seja estabelecida, mas o importante é que as Farc e o governo se sentem cara a cara - disse Angela de Pérez, esposa de um parlamentar sequestrado, à rádio Caracol.

A delegação, que encontrou Chávez na tarde de segunda-feira, também inclui a mãe de Betancourt e alguns parentes de 11 parlamentares regionais mortos recentemente durante um suposto confronto entre guerrilha e soldados, depois de cinco anos de cativeiro.

- Espero que possamos fazer algo - disse Chávez, principal líder esquerdista sul-americano da atualidade, em discurso à tarde.

- Talvez depois da reunião de hoje eu seja obrigado a buscar contato com os guerrilheiros - afirmou.

A senadora colombiana Piedad Córdoba, crítica de Uribe e simpatizante de Chávez, ajudou a organizar o encontro, com aval do presidente colombiano.

O venezuelano pretende se encontrar no final de agosto com Uribe na Colômbia, para tentar levar as negociações adiante.

Uribe cultiva uma imagem de linha-dura com a guerrilha, ao mesmo tempo em que negociou o desarmamento de milícias de ultradireita.

As Farc querem que Uribe desmilitarize uma área do tamanho de Nova York no sul da Colômbia, onde aconteceriam as negociações para a troca de reféns por guerrilheiros presos.

Uribe, embora tenha libertado alguns presos como sinal de boa vontade, se recusa a retirar as tropas da região em questão.

Autoridades dos EUA acusam Chávez de ajudar abertamente os rebeldes das Farc, embora não tenham apresentado provas nesse sentido.

Chávez e Uribe já tiveram atritos por causa de questões relativas ao patrulhamento da fronteira. Em 2005, a Venezuela cortou relações econômicas com a Colômbia depois de um líder das Farc ser capturado em Caracas sem aval venezuelano. Apesar disso e de suas diferenças ideológicas, os dois líderes dizem manter boas relações.