Libertados 32 presos políticos na Etiópia

Agência EFE

ETIÓPIA - Um total de 32 presos políticos da Etiópia foi libertado neste domingo após a detenção há dois anos devido aos violentos protestos pós-eleitorais de junho e novembro de 2005, informaram fontes oficiais.

Os presos políticos ficaram em liberdade graças a um perdão do Governo, informou Bereked Simon, assessor principal do primeiro-ministro etíope, Meles Zenawi.

Este gesto não tem precedentes na história recente deste país.

Os réus permaneciam presos enquanto ocorria o julgamento por causa da acusação de alta traição devido ao não reconhecimento do resultado das eleições gerais de 15 de maio de 2005, que deram a vitória ao partido de Zenawi.

De acordo com Simon, as autoridades decidiram soltar os detidos depois que estes aceitaram sua responsabilidade nas manifestações que deixaram cerca de 200 mortos, entre eles seis membros das forças de segurança.

Os acusados se declararam culpados, por isso o Governo decidiu libertá-los e perdoá-los, apesar de a sentença não ter saído.

A Procuradoria Geral do Estado tinha pedido pena de morte para os acusados, e o perdão do Governo acontece antes de a Justiça ter se pronunciado.

Os representantes da União Européia e dos Estados Unidos no país declararam sua satisfação no que representa uma clara demonstração de reconciliação social.

A notícia foi recebida com júbilo pela população da capital, que apóia maciçamente os líderes da oposição.

Para evitar possíveis distúrbios, as autoridades mobilizaram fortes medidas de segurança.

Ainda estão presos dois presos políticos que trabalhavam em ONGs e são os únicos que escolheram não se defender desde o início, por não reconhecer a legitimidade de um julgamento que consideravam uma farsa.

Bereket Simon não se pronunciou a respeito, mas observadores internacionais que acompanham o julgamento disseram que o Governo espera que ambos mudem de estratégia para libertá-los.