Moradores de Pisco querem enterrar os mortos e conseguir água

Agência EFE

PISCO - Os sobreviventes da área de Pisco, a mais afetada pelo terremoto que atingiu o Peru há dois dias, se concentram em dois objetivos: conseguir água e enterrar seus mortos.

Após nova noite de frio e ao ar livre, os moradores começaram a receber nesta sexta-feira as primeiras ajudas do Governo e de organizações humanitárias.

Na cidade, que ficou 70% destruída, os únicos comerciantes que abriram as lojas hoje foram os vendedores de flores do cemitério.

Sem chances de encontrar sobreviventes entre os escombros e com uma duvidosa reconstrução da cidade, os moradores de Pisco só encontram um motivo para estar vivos: a esperança.

Juan Carlos Ortiz, um alfaiate de 38 anos nascido e criado em Pisco, contou à Efe o que aconteceu na quarta-feira.

- Ver a cidade arrasada, perder a família e ver como os parentes mais queridos também perdiam as suas produz uma grande amargura - contou ele.

Ortiz se reuniu com a extensa família e formou um acampamento para compartilhar mantimentos, já que.

- Não podemos oferecer muito, além de abraços - comentou.

O abastecimento de energia elétrica e os serviços de saúde continuam interrompidos. Membros das equipes de resgate acham que esta situação continuará assim por enquanto. Também não há alimentos nem água.

O porta-voz do Corpo de Bombeiros Voluntários, Lewis Mejía, descrevia a situação assim: "Aqui, mesmo que se você tivesse US$ 1 milhão, não poderia fazer nada mais que comer o dinheiro".

Com a luz do dia, centenas de moradores saem dos cantos onde se protegiam do frio, do medo de novos tremores e dos saques para andar pelas ruas destruídas e olhar com curiosidade e medo entre os escombros.

Por enquanto, os órgãos peruanos se concentram em nove acampamentos precários espalhados pela cidade. Cada um deles abriga em média 200 famílias.

No entanto, a maior parte da população não dorme nesses centros e passa a noite nas colinas afastadas da cidade, com medo de um tsunami. Eles descem até Pisco quando amanhece para pedir comida, água e remédios.

A falta d''água é o maior problema enfrentado pelos habitantes de Pisco, que exigem com cada vez mais intensidade do Governo que cumpra a promessa de atender às necessidades das vítimas.

Até agora, quase todos os ministros do Governo de Alan García visitaram a cidade para coordenar a distribuição da ajuda humanitária. Mas só nesta madrugada começaram a ser dados cobertores, água e barracas, em quantidade insuficiente.

Extra-oficialmente, calcula-se que há mais de 80.000 pessoas que precisam de assistência direta. E o número pode aumentar nos próximos dias se as reservas de alimentos e água acabarem.