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Fretilin quer Governo em minoria, apesar de acordo da oposição

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Agência EFE

DÍLI - A Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), a força política mais votada nas últimas eleições no país, proporá na segunda-feira um Governo em minoria, apesar do acordo anunciado na sexta-feira pela oposição para formar um Executivo de coalizão sem a presença do partido.

A decisão foi confirmada neste sábado pelo ex-primeiro-ministro Mari Alkatiri, secretário-geral da Fretilin, que reiterou que seu grupo tem direito de tomar parte no poder, já que foi a legenda mais votada.

No entanto, reconheceu que a frente precisa de outros partidos para governar, já que não tem maioria absoluta. No entanto, Alkatiri ressaltou que, se todos rejeitarem se unir a seu grupo, que considera vitorioso no pleito, 'será problema' de cada um.

- Abrimos as portas para todos, já que não nos escondemos da realidade - acrescentou.

Na sexta-feira, o ex-presidente timorense Xanana Gusmão propôs um Governo de coalizão de quatro partidos, deixando de fora a Fretilin, apesar de a sigla ter conseguido cerca de 30% dos votos nas eleições do dia 30 de junho. O número dá a vitória ao grupo, mas não o permite governar sozinho.

Os resultados das eleições representaram um duro golpe para Gusmão, considerado um herói da resistência contra a ocupação indonésia no país. O partido liderado pelo ex-governante, o recém-criado Conselho Nacional para a Reconstrução do Timor-Leste (CNR), ficou em segundo lugar nas eleições, com quase 23% dos votos.

Seu sucessor na Chefia do Estado e principal aliado político, José Ramos Horta, é favorável à fórmula de uma grande coalizão governamental, no que seria a solução para colocar fim às divisões e aos conflitos que assolam o Timor-Leste.

A crise no país teve início em maio de 2006, com o polêmico afastamento de membros rebeldes do Exército, e se intensificou devido a ondas de violência que deixaram 30 mortos e mais de 150 mil refugiados.

O Timor-Leste conquistou a independência em 20 de maio de 2002, com o apoio das Nações Unidas.