UE inicia cúpula sobre tratado constitucional entre divergências

Agência EFE

ALEMANHA - Os chefes de Estado e Governo da União Européia iniciam nesta quinta-feira uma complicada cúpula em que pretendem decidir a reforma do tratado constitucional.

O objetivo é chegar a um acordo sobre as linhas-mestras de como reformar o tratado. Os ossos mais duros de roer são por enquanto o Reino Unido (que apresenta divergências na política externa comum e na Carta de Direitos Fundamentais) e a Polônia (com sua oposição ao mecanismo de voto por maioria qualificada).

A Holanda, cuja população rejeitou a Constituição em plebiscito, não está satisfeita com a oferta alemã de aumentar ligeiramente o papel dos Parlamentos nacionais no processo legislativo comunitário.

Mas fontes do bloco acreditam que o país não será um problema.

As maiores dificuldades vêm da Polônia. O Governo polonês jogou mais lenha na fogueira ontem à noite, ao renovar a ameaça de se opor à aprovação de um preâmbulo do tratado que não faça referência aos valores cristãos ou a Deus.

A ministra de Relações Exteriores britânica, Margaret Beckett, voltou a insistir que seu Governo prefere não conseguir um novo acordo se a alternativa for um texto insatisfatório para os interesses do Reino Unido.

Londres aumentou no domingo suas exigências de diluir a Política Externa e de Segurança Comum.

Assim, os pedidos da chanceler federal alemã e atual presidente da UE, Angela Merkel, para que os líderes mostrem unidade, foram em vão, pelo menos na véspera da cúpula de Bruxelas.

O chefe do Governo espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, chega ao encontro à vontade. A Espanha ratificou a Constituição européia em plebiscito, e mostrou flexibilidade para renunciar ao tratado em troca de uma manutenção dos objetivos políticos de seu conteúdo, seguindo a linha de países como Alemanha, França e Itália.

Algumas declarações podem ser parte do jogo de estabelecer posições e demarcar território antes das negociações dos próximos dias, que deverão ser muito duras. A cúpula, prevista inicialmente para terminar na sexta-feira ao meio-dia, pode se estender até a madrugada de sábado e até mais tarde se as coisas se complicarem.

A primeira sessão de trabalho começará às 12h30 (de Brasília).

Também participarão os presidentes da Comissão Européia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, e do Parlamento Europeu, Hans-Gert Pöttering, assim como Javier Solana, alto representante da UE para Política Externa e Segurança Comum.

As delegações discutirão com base num documento de 11 páginas de grande complexidade técnica e jurídica, apresentado na tarde de terça-feira pela Alemanha.

O documento alemão inclui os 12 pontos que Espanha e França apresentaram aos demais membros da UE no domingo passado para preservar a essência do tratado constitucional.