Negociador nuclear americano a Pyongyang é recebido com otimismo

Agência EFE

SEUL - O máximo negociador americano no diálogo nuclear, Christopher Hill, chegou nesta quinta-feira em visita surpresa a Pyongyang a fim de avançar no processo de desnuclearização da península e normalizar as relações bilaterais com a Coréia do Norte.

- Desejamos poder recuperar o tempo perdido nos últimos meses - disse Hill ao chegar a Pyongyang, em meio a um otimismo moderado, na primeira visita de um enviado oficial americano desde outubro de 2002.

Hill manifestou seu desejo de avançar nas negociações de seis lados - as duas Coréias, Japão, Estados Unidos, China e Rússia - para a desnuclearização do país comunista, que deveriam ser encerradas com o fechamento do reator de Yongbyon, segundo a agência sul-coreana 'Yonhap'.

O negociador partiu nesta quinta-feira da base aérea americana em Ousam, ao sul de Seul, em um avião militar japonês rumo a Pyongyang.

A 'Agência Central de Notícias Norte-coreana' ("KCNA") confirmou a chegada do diplomata americano, que viajou a pedido de Pyongyang, segundo a imprensa sul-coreana.

Como mostram as imagens divulgadas pela imprensa, Hill foi recebido no aeroporto por Ri Gun, vice-delegado no diálogo nuclear.

Segundo fontes diplomáticas sul-coreanas, durante a visita de dois dias Hill se reunirá com o primeiro vice-ministro de Exteriores norte-coreano, Kang Sok-ju, e com o negociador para o diálogo nuclear, Kim Kye-gwan.

Não está descartado um eventual encontro com o líder norte-coreano, Kim Jong-il, caso Hill leve uma mensagem pessoal do presidente americano, George W. Bush.

Christopher Hill é o primeiro alto diplomata dos EUA a viajar ao país desde a visita, em outubro de 2002, de seu antecessor como encarregado do Leste da Ásia no Departamento de Estado, James Kelly, que acusou a Coréia do Norte de ter desenvolvido secretamente um programa nuclear de urânio enriquecido.

A visita de Hill acontece em meio ao otimismo gerado em relação ao desarmamento nuclear norte-coreano após o desbloqueio de US$ 25 milhões no Banco Delta Ásia (BDA) em Macau que permaneceram congelados durante um ano e meio por Washington sob suspeita de estarem ligados a atividades ilegais.

O bloqueio do dinheiro atrasou até agora o desmantelamento nuclear norte-coreano, apesar de Pyongyang ter se comprometido em 13 de fevereiro a fechar em 60 dias seu reator nuclear de Yongbyon em troca de ajudas internacionais em matéria energética.

O problema foi resolvido quando a Rússia, através de um de seus bancos, intermediou a devolução do dinheiro.

- Agora não há mais nenhum obstáculo para a retomada das negociações do sexteto - disse nesta quinta-feira em Moscou o ministro de Exteriores russo, Serguei Lavrov.

Espera-se ainda que a visita de Hill seja crucial para determinar o futuro das relações entre Pyongyang e Washington, que considera a Coréia do Norte como um dos três países do 'Eixo do Mal'.

A visita surpresa de Hill ocorre às vésperas da viagem a Pyongyang de uma missão de trabalho da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), na próxima terça-feira, depois do convite feito pelo Governo norte-coreano neste fim de semana aos inspetores.

No entanto, a visita poderá ser adiada, comunicou hoje um porta-voz da Embaixada norte-coreana em Viena.

O Ministério de Exteriores sul-coreano saudou a visita de Hill a Pyongyang com a esperança de que 'acelere os passos concretos da desnuclearização' na península.

Em comunicado, Seul manifestou ainda seu desejo de que a 'visita de Hill estabeleça as bases para normalizar as relações bilaterais entre Coréia do Norte e EUA'.

O máximo negociador sul-coreano na reunião de seis lados, Chun Yung-woo, classificou como um 'bom sinal' a viagem de seu colega americano a Pyongyang.

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, defendeu nesta quinta o diálogo e a pressão sobre a Coréia do Norte, negou que a viagem a Pyongyang do negociador americano influencie nas reivindicações japonesas no seqüestro de cidadãos pelo regime norte-coreano e disse que "acompanhará atentamente' a visita de Hill.

O chefe da diplomacia chinesa, Yang Jiechi, viajará para Pyongyang entre 2 e 4 de julho para tratar das relações bilaterais, além do processo de desnuclearização.