Brasil acolherá famílias de refugiados paletinos do Iraque

Marcello Victor, Agência JB

RIO - Um grupo de 96 refugiados palestinos, que vive atualmente em um campo no Iraque, terá como nova moradia o Brasil. As 17 famílias começarão a chegar ao país a partir de agosto. Eles já estão tendo contato com a cultura brasileira para evitar problemas de adaptação. Ainda não foram definidas as cidades que receberão os árabes.

Segundo o Comitê Nacional para Refugiados (Conare), a iniciativa do governo brasileiro faz parte do Programa de Reassentamento Solidário, que tem apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). Em fevereiro deste ano, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) deflagrou um apelo global sobre a situação dos cerca de 15 mil palestinos que ainda vivem no Iraque.

"Num primeiro momento, eles receberão ajuda do Acnur e do governo federal, além do governo do estado que os acolherá, nas áreas básicas de educação, saúde, habitação", explicou o representante do Acnur no Brasil, Luis Varese, de 58 anos. Ele salientou ainda que outros três parceiros da sociedade civil estão trabalhando juntamente com a entidade na implementação da lojística para receber o grupo.

No governo do ditador Saddam Husseim, eles viviam nas regiões urbanas do Iraque. Com a queda do regime, em 2003, passaram a ser vítimas de perseguições, sequestros, torturas e ameaças. Segundo a ONU, 186 foram assassinados desde então.

Com a ida para o campo de Ruweished, administrado pela Jordânia e a 70 quilômetros da fronteira com o Iraque, vivem praticamente reclusos, já que dependem da autorização do país para entrar e sair na área.

Entre os refugiados que fixarão residência no Brasil, apenas dois são solteiros e sete possuem curso superior. No total, 75% são de adultos, 15% de crianças e adolescentes e 10% de idosos.