Paquistão e Irã chamam diplomatas por título dado a Rushdie

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ISLAMABAD - O Paquistão e o Irã convocaram na terça-feira os embaixadores britânicos em suas capitais para protestar contra a concessão do título de 'sir' ao escritor Salman Rushdie, autor do polêmico romance 'Os Versos Satânicos.'

Por causa desse livro, tido como blasfemo por muitos muçulmanos, em 1989 o falecido aiatolá Ruhollah Khomeini, líder da Revolução Islâmica do Irã, emitiu uma sentença religiosa condenando o autor britânico à morte.

Agora, na lista de honrarias do aniversário da rainha Elizabeth 2a, Paquistaneses protestaram na terça-feira em várias cidades, gritando 'Morte a Rushdie' e queimando fotos do escritor, nascido em 1947 em Mumbai, filho de pais muçulmanos, e educado numa escola britânica elitista e na Universidade de Cambridge.

A chancelaria paquistanesa disse que o alto-comissário britânico (título dado ao embaixador em ex-colônias), Robert Brinkley, foi convocado a prestar explicações.

- Disseram-lhe que Salman Rushdie é uma figura polêmica, conhecida menos por sua contribuição literária e mais por seus escritos ofensivos e insultuosos, que ferem profundamente os sentimentos de muçulmanos em todo o mundo -, disse uma porta-voz.

A chancelaria iraniana reservou palavras semelhantes ao embaixador britânico em Teerã, Geoffrey Adams.

- Este ato insultuoso, suspeito e impróprio por parte do governo britânico é um óbvio exemplo da luta contra o Islã -, disse Ebrahim Rahimpour, diretor da chancelaria iraniana para a Europa Ocidental, a Adams, segundo a agência oficial de notícias Irna.

Muçulmanos dizem que 'Os Versos Satânicos', publicado em 1988, comete blasfêmias contra o profeta Maomé e ridiculariza o Corão e fatos do início da história islâmica