Japão supera 30 mil suicídios pelo nono ano consecutivo

Agência EFE

TÓQUIO - O Japão superou em 2006 a marca de 30 mil suicídios, pelo nono ano consecutivo, com um aumento dos casos de adolescentes e uma redução das causas econômicas ou trabalhistas, informou nesta quinta-feira a Agência Nacional de Polícia (NPA). No total, 32.155 pessoas se mataram no ano passado no Japão, o país industrializado com o maior número de mortes voluntárias por ano segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O número é 1,2% inferior ao de 2005 graças, em parte, à redução no número de casos por motivos econômicos, que baixou 10%, até 6.969. A recuperação econômica japonesa explica a tendência, segundo a agência 'Kyodo'.

No entanto, a incidência dos suicídios entre os estudantes aumentou 2,9% em 2006, com 25 casos a mais, totalizando 886 mortes. É o pior número desde 1978, quando foi feito o primeiro relatório. Os dados mostram que por trás de muitos casos de suicídios de adolescentes existem situações de assédio escolar. No entanto, uma saúde deficiente é a principal motivação em mais da metade dos suicídios japoneses. Em seguida vêm os problemas econômicos, de família e profissionais.

O perfil do suicida médio no Japão é um homem de cerca de 60 anos, em 34,6% dos casos, com problemas de saúde e que costuma deixar uma nota explicando as razões da sua decisão. Segundo a NPA, 70% dos suicidas são homens e 32,5% deles optam por escrever uma nota de despedida antes de morrer. O maior número de suicídio acontece entre os desempregados, seguidos pelos assalariados, e em terceiro lugar pelos autônomos. O Governo japonês anunciou em 27 abril uma estratégia nacional para reduzir em 20% a taxa anual de suicídios até 2016, evitando 5 mil mortes por ano.

Uma proposta de lei apresentada por um grupo de trabalho do Parlamento foi aprovada, criando medidas preventivas como as aplicadas no Reino Unido e Finlândia, segundo a 'Kyodo'.