Estudantes venezuelanos defendem retirada da Assembléia Nacional

Agência EFE

CARACAS - Estudantes universitários contrários à política do Governo venezuelano defenderam sua decisão de retirar-se hoje de uma sessão da Assembléia Nacional (AN), pois afirmaram ter ido à Casa Legislativa para 'exercer um direito de palavra, e não para debater'.

Representantes estudantis favoráveis e contrários à decisão do Governo venezuelano de não prorrogar a licença de transmissão da cadeia privada 'Radio Caracas Televisión' ("RCTV") foram hoje à AN, formada por 167 membros, todos governistas, para discutir assuntos de interesse nacional.

Os líderes universitários, que desde 28 de maio promovem manifestações a favor da liberdade de expressão, solicitaram, na semana passada, 'direito de palavra' na AN, para expor sua posição e deixar claro que suas motivações são alheias à política.

No entanto, o grupo contrário ao Governo abandonou o plenário, após dois dos vinte discursos programados, uma atitude que foi condenada pelos governistas.

- Pedimos um direito de palavra, o exercemos, e fomos embora -, declarou aos jornalistas Stalin González, líder estudantil da Universidade Central da Venezuela (UCV), ao abandonar a sede do Legislativo, sob forte custódia policial.

Por sua parte, o líder estudantil da Universidade Católica Andrés Bello (UCAB), Yon Goicoechea, afirmou que a AN, formada somente por aliados do Governo, 'não é um cenário idôneo para um debate'.

A presidente da AN, Cilia Flores, qualificou de 'desrespeitosa' a atitude dos estudantes que se retiraram do plenário, e pediu ao "povo venezuelano que censure' tal comportamento.

- Eles nem sequer ficaram para escutar a opinião dos outros estudantes -, afirmou.

Os discursos dos estudantes contrários à não renovação da licença da 'RCTV' foram centrados nas virtudes da democracia, dos direitos civis e da liberdade, assim como na promoção da reconciliação entre os venezuelanos.

Os partidários do Governo defenderam o 'processo revolucionário', e lembraram que, em décadas passadas, os estudantes que saíam às ruas para se manifestar eram 'assassinados' por defender suas idéias.

A sessão especial da AN com os estudantes foi transmitida em rede nacional obrigatória de rádio e televisão.