Ásia: organização de migração alerta para aumento de tráfico de órgãos

Agência EFE

MANILA - O representante na Ásia da Organização Internacional de Migrações (OIM) alertou nesta quinta-feira para o aumento de casos de tráfico de órgãos humanos na região e ressaltou que o negócio ilícito se beneficiou com a globalização.

Os países mais afetados, além da China, são as nações mais pobres do Sudeste Asiático, como Camboja, Indonésia, Laos, Mianmar (Birmânia), Filipinas e Vietnã, afirmou o delegado regional da OIM, Bruce Reed, durante um seminário em Manila.

Há apenas uma semana o comércio de órgãos humanos passou a ser ilegal na China, depois da entrada em vigor de uma nova lei que proíbe sua compra e venda e obriga que as doações sejam voluntárias.

- Em outros países, as vítimas são cada vez mais jovens (...), e no Sudeste Asiático os traficantes se aproveitam do crescente índice de migração infantil' para vender seus corpos por partes - afirmou Reed.

Segundo o delegado regional da OIM, contribui de forma decisiva o fato de que 30 milhões de asiáticos vivem e trabalham fora de seus países, em uma espécie de 'globalização' regional da força de trabalho, que constitui uma mão-de-obra carente de qualquer tipo de proteção legal perante os empregadores.

Desta forma, muitos deslocados são obrigados a pedir esmolas, delinqüir, exercer a prostituição ou participar de redes de adoções ilegais e casamentos arrumados, acrescentou.

Reed pediu uma maior cooperação entre os países da região para acabar com estas situações nas quais os prejudicados terminam sendo as pessoas mais necessitadas.

O delegado elogiou as últimas operações conjuntas contra o tráfico de pessoas realizadas por autoridades de China e Vietnã.

Entre as diferentes atividades vinculadas ao contrabando de seres humanos, as mais preocupantes e que se realizam em maior escala são as relacionadas com o sexo e a exploração do trabalho, que afetam muitos menores de idade, ressaltou Reed.