Venezuela apóia governo colombiano na libertação de rebeldes das Farc

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CARACAS - A Venezuela apoiou nesta quarta-feira a decisão do governo da Colômbia de libertar guerrilheiros das Farc, entre eles Rodrigo Granda, detido em Caracas em 2004, na tentativa de conseguir a libertação de sequestrados pelo grupo rebelde.

A prisão de Granda causou uma crise diplomática entre as duas nações, que no passado haviam trocado acusações por causa da atuação da guerrilha na fronteira entre os países, com manifestações da Colômbia de que esses grupos se refugiavam em território venezuelano.

- Respeitamos todas as medidas que estão sendo tomadas e ratificamos a vontade do governo do presidente Hugo Chávez, da Venezuela, de contribuir com tudo o que seja possível para a paz da Colômbia - disse o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro, em uma conferência de imprensa em Bogotá.

Maduro participou de uma entrevista várias vezes adiada com o chanceler colombiano, Fernando Araújo, depois de superar um atrito diplomático por declarações feitas recentemente à imprensa espanhola pelo ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, que criticou a política de combate às drogas do país vizinho.

Colômbia e Venezuela, que compartilham uma fronteira terrestre de 2.219 Km, mantêm uma instável relação diplomática, na qual os presidentes Alvaro Uribe e Hugo Chávez mostram um bom entendimento em público, apesar de suas divergências ideológicas e suas posturas frente aos Estados Unidos.

A libertação de Granda e de até 180 rebeldes foi uma decisão unilateral de Uribe em busca de conseguir um acordo para a libertação de cerca de 60 sequestrados, entre eles a franco-colombiana Ingrid Betancourt, três norte-americanos, militares, policiais e ex-congressistas.

- Os passos que o governo está dando, nós os respeitamos, não nos imiscuímos nas decisões, porque nós somos zelosos da soberania de nossos países - acrescentou Maduro.

Granda é procurado no Paraguai, acusado de participar do rapto e do assassinato da filha do ex-presidente Raúl Cubas.