Sarkozy descarta "desfecho rápido" para seqüestro de Ingrid Betancourt

Agência JB

HEILIGENDAMM - O presidente francês, Nicolas Sarkozy, não tem esperança que aconteça um "desfecho rápido" do cativeiro da política franco-colombiana Ingrid Betancourt, seqüestrada pela guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Em entrevista que será publicada amanhã pelo jornal "Le Figaro", Sarkozy responde a uma pergunta sobre haver esperança para um fim breve do seqüestro com "Não, no dia de hoje".

O presidente francês aproveitou sua primeira entrevista desde que chegou ao cargo para prestar "homenagem" ao presidente colombiano, Álvaro Uribe, por atender ao seu pedido de libertar o chamado "chanceler" das Farc, Rodrigo Granda.

Mas ressaltou que "o que foi feito até agora era necessário mas não suficiente" para tirar a situação do impasse.

Mesmo consciente de que a "negociação é muito difícil", Sarkozy pondera que haverá "outras conversas" sobre o conflito colombiano, especialmente a questão dos reféns das Farc.

Ao anunciar na segunda-feira que ia soltar Granda, Uribe disse que o fazia a pedido de Sarkozy para que o guerrilheiro agisse como "intermediário para a paz".

- A prioridade agora é ter uma prova de vida de Ingrid Betancourt. Depois poderemos tomar outras iniciativas - ressaltou Sarkozy na entrevista ao jornal francês.

O presidente francês deve expor o caso de Betancourt na cúpula do G8 (sete países mais industrializados do mundo mais a Rússia), que começou nesta quarta-feira na Alemanha.

Sarkozy pedirá aos colegas prestem homenagem ao "gesto humanitário" do Governo de Uribe para facilitar a libertação da ex-candidata à Presidência da Colômbia.

Em Heiligendamm, o porta-voz de Sarkozy, David Martinon, disse a jornalistas que o G8 deverá decidir como responder ao pedido de Sarkozy e se vai emitir uma declaração ao respeito.

- O presidente Sarkozy pedirá amanhã a seus colegas do G8 que prestem homenagem ao esforço realizado pelo presidente Álvaro Uribe - disse Martinon em referência à ordem de libertar guerrilheiros presos em trocas de reféns das Farc.

Sarkozy abriu sua agenda bilateral com a presidente do G8 e do Conselho de Européia, a chanceler alemã Angela Merkel, e depois com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe.