Justiça russa rejeita recurso de mães de Beslan contra Polícia

Agência EFE

MOSCOU - A Justiça da república autônoma da Ossétia do Norte, na Rússia, rejeitou um recurso apresentado pelas mães dos alunos da escola de Beslan para abrir um processo judicial contra a Polícia russa sobre o massacre de setembro de 2004. O advogado das mães de Beslan, que na semana passada lembraram os mil dias da morte das 186 crianças na escola, tomada por terroristas chechenos, disse que a decisão judicial é 'ilegal', segundo a agência de notícias russa 'Interfax'.

As mães afirmam que a Justiça deve depurar responsabilidades entre os chefes da segurança por optar pela força, desde o princípio, como solução para o seqüestro de mais de mil reféns, entre estudantes, pais e professores.

Há uma semana, a presidente do grupo de sobreviventes 'A Voz de Beslan', Ella Kessaieva, disse que as mães apelarão ao Tribunal Supremo e, se preciso, aos tribunais europeus de direitos humanos.

A Justiça da Ossétia do Norte encerrou há poucos dias o processo aberto contra vários chefes da Polícia de Beslan por 'negligência' na prevenção ao massacre. Além dos 186 estudantes, 134 pais e professores, morreram dez agentes de segurança e três paramédicos.

Os policiais, que estavam em prisão domiciliar, foram libertados em virtude da anistia retroativa promulgada pela Duma (Câmara dos Deputados da Rússia), em setembro de 2006 na Chechênia e nas demais repúblicas e territórios do Norte do Cáucaso.

A anistia diz respeito aos crimes cometidos durante a operação antiterrorista lançada pelo presidente russo, Vladimir Putin, em outubro de 1999, quando era primeiro-ministro, e que ficou conhecida como a Segunda Guerra da Chechênia.