Insurgência iraquiana pode desenvolver armas químicos, avisa ONU

Agência EFE

IRAQUE - A insurgência iraquiana utiliza cloro para matar dezenas de civis e, dado o conhecimento sobre armamentos químicos disponível no país, pode estar desenvolvendo outras substâncias tóxicas para seus ataques, alertaram os inspetores das Nações Unidas.

- Além do cloro que existe atualmente em todo o país, agentes não estatais poderiam também tentar adquirir outras substâncias mais tóxicas, produzidas localmente ou usadas no exterior - avisa a Comissão para a Inspeção, Vigilância e Verificação do Desarmamento no Iraque (Unmovic) em seu último relatório, divulgado em seu site.

Os insurgentes têm utilizado ultimamente substâncias químicas industriais tóxicas como o cloro, em combinação com explosivos para sua dispersão. O objetivo é causar dano à população indefesa, segundo a Unmovic.

- Esses ataques mataram dezenas de pessoas e causaram lesões em centenas em todo o Iraque - acrescenta o texto.

Até agora foram registrados pelo menos 10 ataques usando diversas quantidades de cloro, e as forças de segurança impediram várias tentativas, explicam os analistas. Eles lembram que os agentes de guerra química ou biológica usados em pequenas quantidades podem ser mortais.

- Devido à situação no Iraque, é possível que agentes não estatais tentem adquirir pequenas quantidades de agentes tóxicos ou seus precursores químicos - diz o documento.

A ameaça é possível por diversos fatores, entre os quais a existência no país de amplos conhecimentos sobre as armas químicas, pois centenas de cientistas e técnicos participaram do programa de armas químicas do passado, afirma o texto, em referência ao regime de Saddam Hussein.

Outras causas mencionadas pela Unmovic são a existência de redes que poderiam facilitar a aquisição de agentes químicos e a disponibilidade de equipamentos de produção de substâncias químicas de duplo uso, que anteriormente estavam sujeitos à vigilância da Comissão.

A Unmovic diz ter localizado por satélite estruturas destruídas em 2004. Os equipamentos que estavam nelas, e que podem ser utilizados para a produção de lotes pequenos de agentes de guerra química, estão hoje em local desconhecido.

Na terça-feira, o Exército dos Estados Unidos informou que a insurgência iraquiana poderia ter utilizado gases químicos na explosão de um carro-bomba na província de Diyala, a nordeste de Bagdá.

O ataque não causou nenhuma vítima mortal, mas alguns soldados sofreram problemas respiratórios e de visão.

- Estamos investigando o incidente para verificar se substâncias químicas foram utilizadas no ataque - disse o Exército.