Cúpula israel-palestina é adiada em meio a desavenças

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JERUSALÉM - O presidente palestino, Mahmoud Abbas, cancelou na quarta-feira um encontro com o primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, em busca de um compromisso de que Israel vai liberar fundos palestinos congelados.

- Abbas não se reunirá com Olmert se este não responder às exigências palestinas ou, ao menos, a algumas dessas exigências - afirmou o ministro palestino das Relações Exteriores, Ziad Abu Amr.

Olmert e Abbas deveriam se encontrar na quinta-feira, na cidade de Jericó, na Cisjordânia ocupada, retomando as negociações patrocinadas pelos EUA e que deveriam se concentrar em aspectos envolvidos na criação de um Estado palestino.

Um membro do gabinete do premiê disse que a cúpula havia sido adiada 'por requisição dos palestinos'. Olmert, segundo afirmou esse integrante do gabinete, estaria disposto a reunir-se com Abbas 'em qualquer dia'.

Os dois lados vêm se desentendendo a respeito das medidas a serem adotadas por Israel para alimentar a confiança mútua.

Entre essas medidas estão o repasse dos impostos arrecadados por Israel em nome dos palestinos, retidos desde a subida ao poder do Hamas, em 2006, e o relaxamento das restrições de deslocamento na Cisjordânia.

Olmert vem sendo bastante pressionado pelos EUA a fim de adotar medidas capazes de fortalecer a facção secular Fatah, ligada a Abbas.

A Fatah trava atualmente uma disputa de poder com o Hamas, que lidera o governo palestino de unidade nacional.

Saeb Erekat, um assessor do presidente, disse que os palestinos desejavam ouvir de Israel a promessa de que liberará os impostos arrecadados, cujo valor, segundo estimativas de autoridades palestinas, somaria 700 milhões de dólares.

- Não estamos impondo condições, mas esses são pontos sobre os quais deveria haver um acordo (antes do encontro) - afirmou.

Autoridades israelenses avaliam que algo entre 300 milhões e 400 milhões de dólares poderia ser transferido aos palestinos de imediato porque o restante do dinheiro foi congelado por ordem da Justiça do país.

Essas autoridades observaram ainda que qualquer transferência teria de ser feita por meio de um mecanismo capaz de assegurar que o dinheiro não acabe nas mãos do Hamas.

Assessores de Abbas disseram que todo o dinheiro deveria ser liberado sem a imposição de condições.