Chávez: "falcões" dos EUA são ameaça mundial

Agência EFE

CARACAS - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, elogiou nesta quarta-feira a "firmeza" do presidente da Rússia, Vladimir Putin, e alertou que os "falcões" de Washington "são uma verdadeira ameaça para o mundo".

Durante uma entrevista coletiva a correspondentes estrangeiros no palácio de Miraflores, sede do Governo venezuelano, Chávez se referiu a um suposto restabelecimento da "Guerra Fria".

- Em sua loucura (os falcões) podem tentar qualquer loucura. É irracional pretender instalar este escudo antimísseis, pois os russos já demonstraram que não é impenetrável -, disse o líder venezuelano ao se referir a uma suposta "crise" entre os Estados Unidos e a Rússia.

- Muitos não se deram conta de que há alguns dias começou esta nova guerra. E não é fria, é quente -, disse Chávez.

Ele acrescentou que o novo conflito começou quando "os EUA voltaram com a política da Guerra nas Estrelas, que estava arquivada desde a era Reagan".

Durante a Guerra Fria, o então presidente dos EUA, Ronald Reagan, propôs a implantação do mesmo escudo. A "Iniciativa de Defesa Estratégica", apelidada de Guerra nas Estrelas foi abandonada em 1993.

Chávez afirmou que frente à atitude "há na Rússia um líder de pé (Putin), falando claro para o bem da humanidade".

O presidente venezuelano disse que o objetivo do escudo antimísseis e da estratégia militar americana "é tentar confundir a Rússia, ir contra a China, contra o Irã e contra todos".

- Temos de ter muito cuidado, pois o presidente dos EUA entrou em parafuso e não vai sair tão cedo deste estado. O momento é muito perigoso, porque este avião tem um poder destruidor muito alto e a extrema-direita, os falcões, vem acelerando os planos nos meses que antecedem as eleições nos EUA -, declarou Chávez.

O líder venezuelano afirmou que irá a Moscou "o mais breve possível", pois foi convidado por Putin, e disse que tanto a Rússia quanto a China são "aliados estratégicos" da Venezuela.

Ele disse que a agenda de trabalho na capital russa não está concluída, mas adiantou que um dos assuntos que não faltará no programa é o energético, já que empresas russas poderiam participar do projeto e da construção do "Gasoduto do Sul", que irá da Venezuela até a Argentina.

Chávez também disse que investirá no setor militar do país.

- Temos a necessidade de contar com recursos para garantir a defesa integral da nação em terra, água e ar -, concluiu.