Al Gore recebe Prêmio Príncipe de Astúrias de Cooperação Internacional

Agência EFE

OVIEDO (ESPANHA) - A contribuição decisiva do ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore em alertar o mundo sobre os graves problemas causados pela mudança climática lhe valeu nesta quarta-feira o Prêmio Príncipe de Astúrias de Cooperação Internacional, entregue na cidade de Oviedo, norte da Espanha.

O júri do prêmio avaliou 'os grandes méritos' de Al Gore, qualificado de 'um homem público, que, com sua liderança, contribuiu para sensibilizar sociedades e Governos de todo o mundo na defesa desta nobre e transcendental causa'.

Presidente da Aliança para a Proteção do Clima, Gore ocupou a Vice-Presidência dos Estados Unidos durante os dois mandatos de Bill Clinton e foi o candidato democrata na eleição presidencial de 2000, na qual foi derrotado pelo republicano George W.Bush.

Após sua polêmica derrota para Bush por uma pequena margem de votos, Gore, que em 1991 havia publicado um livro chamado 'Earth in the balance: Ecology and human spirit', se esforçou para divulgar e conscientizar as pessoas sobre as conseqüências da mudança climática.

Em 2006, o ex-vice-presidente apresentou o documentário 'Uma Verdade Inconveniente', protagonizado por ele e que recebeu, em 2007, o Oscar de melhor documentário.

Nascido em Washington em 1948, Gore percorreu boa parte do mundo para divulgar seu trabalho e transferiu sua condição de líder ecologista ao cinema.

O filme analisa as graves conseqüências do aquecimento global da terra, a progressiva desertificação e a redução de recursos naturais básicos.

São 'graves problemas que ameaçam nosso planeta e que fazem estritamente necessária a cooperação internacional para sua solução', afirmou hoje o júri do Prêmio.

O documentário 'Uma Verdade Inconveniente' é baseado em estudos científicos que indicam que, a menos que as emissões de dióxido de carbono e outros gases que retêm o calor na atmosfera sejam reduzidas, o aquecimento global causará uma mudança climática que, segundo Gore, acabará com a vida tal como a conhecemos.

O júri anunciou a decisão após deliberar por dois dias entre as quatro candidaturas que chegaram às votações finais.

Os concorrentes eram a Intermón, o Instituto Universitário Europeu, a Organização Meteorológica Mundial e o economista britânico Nicholas Stern.

Chamando Gore de 'um cidadão tão destacado', o júri também quis reconhecer o trabalho de 'todas aquelas pessoas e instituições que estão trabalhando na mesma linha'.

O Prêmio de Cooperação Internacional tem como objetivo premiar a pessoa ou instituição cujo trabalho tenha contribuído de forma exemplar e relevante ao mútuo conhecimento, ao progresso e à fraternidade entre os povos.

O prêmio, que está em sua 27ª edição, entrega ¬ 50 mil, uma reprodução de uma estátua desenhada por Joan Miró, além de um diploma e uma insígnia.

Em 2006, o Prêmio de Cooperação Internacional foi concedido à Fundação de Bill e Melinda Gates, e, em 2005, à ex-presidente do Parlamento Europeu Simone Veil.

Em seus 26 anos de história, já ganharam o prêmio o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Jacques Delors, Mikhail Gorbachov, Frederik W. De Klerk, Nelson Mandela, Yitzhak Rabin, Yasser Arafat, Mário Soares, Helmut Kohl, entre outros.

Os Prêmios Príncipe de Astúrias, em suas oito modalidades, são entregues tradicionalmente no primeiro semestre no Teatro Campoamor de Oviedo, em cerimônia presidida por Felipe de Borbón, herdeiro da Coroa espanhola.