Polícia queniana mata 21 suspeitos de pertencer a seita proibida

Agência EFE

NAIRÓBI - A Polícia do Quênia matou 21 indivíduos suspeitos de pertencer a uma seita proibida no país, que nas últimas semanas semeou o terror entre a população com uma onda de sangrentos ataques e decapitações, informou nesta terça-feira a imprensa local.

A Polícia ainda deteve outras sete pessoas em uma operação na favela de Mathare, na capital Nairóbi, onde ontem, dois policiais foram assassinados no que se suspeita ter sido o último golpe do ilegalizado grupo Mungiki, informou a emissora "Easy FM", citando fontes policiais.

A favela de Mathare, onde se acredita que existam muitos membros da seita, foi isolada pelas forças de segurança, da mesma forma que a localidade de Karuro, a uns 80 quilômetros da capital queniana, onde a Polícia afirma que o grupo matou quatro pessoas na madrugada desta terça-feira.

Uma operação policial sem precedentes resultou na detenção de centenas de pessoas nas últimas semanas, depois que o Governo declarou uma luta cerrada contra a seita, que aterroriza povoados em vários distritos do país.

No fim de semana passado, homens armados suspeitos de pertencer à Mungiki tiraram à força de um microônibus o motorista e o cobrador do veículo, decapitando-os logo depois.

O crime aconteceu poucos dias após seis pessoas sem aparente relação com o grupo terem também sido decapitadas em Muranga e Kiambu, cerca de 50 quilômetros de Nairóbi.

A Mungiki foi declarada ilegal pelo Governo em 2002, mas continuou ativa desde então e obtém seu financiamento principalmente do controle e extorsão do setor do transporte em microônibus.

No entanto, as autoridades acham que o grupo poderia estar ampliando suas atividades criminosas para incluir seqüestros e extorsão a algum outro tipo de negócio, como bares e lojas.

O termo Mungiki, que significa multidão no idioma dos kikuyu - a tribo mais numerosa do país - designa um grupo nascido no final dos anos 80 entre os "deserdados" e vítimas da operação de limpeza de adversários promovida pelo ex-presidente queniano Daniel Arap Moi, que representou para muitos a perda de suas terras.

Os jovens kikuyu desempregados, que compõem fundamentalmente o bando, se declaram herdeiros dos mau-mau, a guerrilha que lutou contra o Governo colonial britânico, e opostos "às classes corruptas dirigentes".