ONU: 30% do Zimbábue precisará de ajuda alimentícia

Agência EFE

ROMA - A má colheita e a piora da crise econômica no Zimbábue farão com que mais de quatro milhões de pessoas necessitem de ajuda alimentícia no início de 2008, alertaram nesta terça-feira a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).

As agências calculam que serão necessárias cerca de 352 mil toneladas de ajuda alimentícia para cobrir as necessidades básicas da população, segundo o relatório elaborado pela missão de avaliação de cultivos e provisão de alimentos, enviada ao terreno entre os dias 25 de abril e 18 de maio.

Nas províncias meridionais do país, a escassez de colheitas e "a crescente pobreza", tanto no campo como nas cidades, farão com que 2,1 milhões de pessoas enfrentem "uma grave escassez" de comida.

Segundo as previsões das duas organizações humanitárias, no primeiro trimestre de 2008 haverá 4,1 milhões de pessoas "ameaçadas", o que representa mais de um terço da população total do Zimbábue.

O chefe do Serviço de informação e alerta da FAO, Henri Josserand, explicou que, ao tempo que a seca "devastava" os cultivos em diversas regiões do país, a produção total agrícola se viu afetada pela escassez de adubos, combustível, tratores, e pelos sistemas de irrigação obsoletos.

Além disso, os preços máximos fixados pelo Governo "tiraram o incentivo de muitos agricultores para produzir excedentes de cereais para a venda".

Estes fatores provocaram uma diminuição de 6% na superfície cultivada de cereais, em comparação com o ano passado, e uma redução "substancial" do rendimento médio por hectare.

O Zimbábue vive ainda uma forte crise econômica, com uma "hiperinflação" que alcança atualmente 3.700%, o que, unido à queda da moeda local reduziu "ao mínimo" o poder aquisitivo da população, "limitando muito o acesso aos alimentos para as famílias de renda média e baixa".