Líderes do G8 viram Pinóquios e prometem atrapalhar cúpula

REUTERS

BERLIM - Ativistas do grupo antiglobalização Oxfam se fantasiaram com as máscaras de líderes do G-8 com nariz de pinóquio. Entre os líderes estavam o presidente americano, George W. Bush; a chanceler alemã, Angela Merkel; os primeiros-ministros canadense, Stephen Harper, italiano, Romano Prodi, japonês, Shinzo Abe, britânico, Tony Blair; e os presidentes francês, Nicolas Sarkozy, e o russo, Vladimir Putin. A manifestação foi no porto de Rostock, na Alemanha.

Por outro lado, a animação era grande, a comida boa e o espírito estava determinado entre as 4.500 pessoas acampadas, nesta terça-feira, à véspera da cúpula do Grupo dos Oito (G8), no maior dos três vilarejos montados de forma improvisada por manifestantes.

Enfrentando baixas temperaturas, uma garoa fina e 16 mil policiais antimotim alemães, um eclético grupo de manifestantes anti-G8 vindos do mundo todo se preparava para colocar em prática suas estratégias de bloqueio à reunião internacional, ansiosos para atuar onde fosse possível.

- As pessoas estão se divertindo e essa é uma atmosfera de muita sociabilidade. Mas todos sabemos que não estamos aqui apenas para nos divertir e há uma grande determinação em atrapalhar o encontro do G8 onde for possível - afirmou Kevin J. Smith, de 34 anos, vindo de Londres.

Montado em uma campina próxima a Reddelich (8 quilômetros ao Sul de Heiligendamm, onde ocorre a cúpula), o conjunto de barracas apoiadas em furgões conta com uma surpreendente gama de comodidades: chuveiros movidos a energia solar, cozinhas, bar, palco, banheiros e até serviço de internet.

Mas, na quarta-feira, quando começa a cúpula de três dias do G8, começará a vigorar uma proibição de consumo de álcool no acampamento e a relaxada atmosfera 'Woodstock' deve dar lugar aos protestos. O acampamento possui uma recepção aberta 24 horas por dia e encarregada de receber os recém-chegados na entrada dele.

A recepção fornece informações sobre coisas como o 'bilhete de trem especial para manifestantes' (15 euros para a semana do G8) e cobra 5 euros por dia como 'doação' para morar no acampamento, dividido em uma dúzia de áreas ou 'barrios.'

No entanto, não havia quase nenhuma tomada de energia elétrica no local e cerca de 100 telefones celulares estavam ligados a tomadas sobrecarregadas na barraca da recepção.

Os combates de rua que marcaram as manifestações ocorridas nesta semana em Rostock são debatidos de forma acalorada. Líderes de vários dos grupos anti-G8 condenaram a violência, mas muitos moradores do acampamento acusaram a polícia de ter adotado uma postura provocativa, que geraria violência.

Muitos prometeram fazer o que for necessário para atrapalhar a cúpula do G8. Líderes mundiais podem evitar os manifestantes chegando a Heiligendamm de helicóptero a partir do aeroporto de Rostock. Mas as delegações deles podem ter problemas para atingir o local do encontro.