Exército libanês volta a atacar campo de refugiados palestinos

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TRÍPOLI - Soldados libaneses retomaram na terça-feira os bombardeios contra um campo de refugiados palestinos do norte do Líbano onde militantes inspirados pela Al Qaeda continuavam abrigados junto de milhares de civis.

Rajadas de tiros e explosões de artilharia puderam ser ouvidas durante o dia todo na base do grupo Fatah al-Islam, no campo de Nahr al-Bared, uma grande cidade de moradias precárias que vem sendo bombardeada pelos militares libaneses há mais de duas semanas.

- Vimos coisas que nunca tínhamos visto na vida. Fiquei cinco ou seis dias sem pão e água. Na nossa cabeça, os que não morressem nos bombardeios morreriam de fome - disse uma mulher ferida e retirada do campo na segunda-feira.

Ao menos 114 pessoas foram mortas nos combates em Nahr al-Bared, entre as quais 46 soldados. O Exército diz que o Fatah al-Islam detonou o conflito quando atacou posições dos militares, no dia 20 de maio.

A atual onda de violência é a mais recente a ameaçar a estabilidade do Líbano. Uma bomba detonada na segunda-feira perto de Beirute deixou sete pessoas feridas.

Essa foi a quarta explosão ocorrida dentro ou nas cercanias da capital libanesa desde o início do conflito em Nahr al-Bared. As explosões mataram uma pessoa até agora.

O Hamas, um importante grupo palestino, avisou que os combates podem se espalhar para outros campos de refugiados. E, de fato, no domingo e na segunda-feira, militantes com uma linha ideológica semelhante à do Fatah al-Islam enfrentaram soldados no campo de Ain al-Hilweh, no sul do Líbano.

- Estamos buscando um caminho para sairmos dessa crise o quanto antes, evitando assim pagar um preço alto demais - afirmou Raafat Morra, porta-voz do Hamas no território libanês.

Alguns combatentes do Fatah al-Islam teriam se entregado à facção Fatah, outro grupo palestino.

- Esse é um dos vários passos que poderão assegurar o fim desse episódio - disse Jamal Khalil, uma autoridade da Fatah.