Filho defende acusado de planejar ataque ao JFK

Agência EFE

NOVA YORK - O filho do ex-parlamentar de Guiana Abdul Kadir detido pelas autoridades americanas acusado de um complô terrorista desmentiu neste sábado as acusações feitas contra seu pai e acusou os Estados Unidos de perseguir erroneamente os muçulmanos. Kadir e outras duas pessoas foram presas suspeitas de um complô terrorista para atentar contra a rede de oleodutos que abastece os aviões do aeroporto John F. Kennedy de Nova York.

Segundo o filho do ex-parlamentar, Kareem Kadir de forma alguma seu pai está envolvido em um complô.

- Está claro que os Estados Unidos têm todos os muçulmanos ao redor do mundo como alvo - afirmou.

O ex-parlamentar foi detido na noite de sexta-feira no aeroporto internacional de Trinidad e Tobago antes de entrar em um avião com destino à Venezuela, a caminho de Teerã, para assistir a uma conferência islâmica, informou seu filho.

Três dos acusados (dois da Guiana, um dos quais também tem cidadania americana, e um de Trinidad e Tobago) foram detidos e a polícia ainda busca outro guianense, "que poderia estar foragido em Trinidad e Tobago", disse Mark Mershon, do FBI (polícia federal americana).

Os detidos são Rusell Defreitas, ex-funcionário do aeroporto, nascido na Guiana e com cidadania americana, que foi detido no bairro do Brooklyn, em Nova York; o ex-prefeito e ex-parlamentar guianense Abdul Kadir, e Kareem Ibrahim, de Trinidad e Tobago. O agente do FBI acrescentou que a quarta pessoa acusada é Abdel Nour, também natural de Guiana, que está foragido.

Kareem Kadir admitiu que Russell DeFreitas, Kareem Ibrahim e Abdel Nou permaneceram três dias na Guiana, há quatro meses, para preparar uma campanha nos EUA destinada a conseguir fundos para construir uma mesquita.

- Queremos ver as provas que têm contra meu pai. Se ele é acusado de estar associado com outras pessoas neste caso, todos somos culpados -afirmou.

Kadir afirmou que considera que seu pai será extraditado aos EUA para ser julgado e disse que já começaram a buscar a solidariedade da comunidade xiita de Trinidad e Tobago para conseguir um advogado que o represente. Abdul Kadir foi parlamentar pelo Partido Popular Reformista e deixou o Governo em agosto de 2006. O político também foi prefeito de Linden, que está cerca de 100 km a sudeste da capital da Guiana (Georgetown).

De acordo com a agência de notícias France Press, o governo da Guiana manifestou surpresa com a prisão do ex-parlamentar Abdul Kadir. O governo da Guiana descreveu como "impactante" que Kadir e Russell DeFreitas estivessem envolvidos na conspiração terrorista.

Em Port of Spain (capital de Trinidad e Tobago), o chefe da Polícia, Trevor Paul, explicou que os suspeitos foram detidos a pedido do FBI. "O processo judicial para sua extradição será colocado em andamento", afirmou Paul, acrescentando que os dois detidos ainda não foram acusados de crime algum, mas que são suspeitos de participação em um complô para cometer atentados terroristas.

Segundo Mershon, o grupo formava uma "célula terrorista de extremistas muçulmanos muito expressiva" que desde janeiro de 2006 reunia fotografias e vídeos para cometer um atentado, um plano que ainda estava em sua "fase inicial".

A promotora do distrito leste de Nova York, Roslynn Mauskopf, afirmou que se trata de um dos "complôs mais assustadores já imaginados" e destacou que durante o tempo em que as investigações foram realizadas "a segurança aérea e a dos passageiros nunca estiveram em perigo".

- A destruição que os ataques teriam causado, se acontecessem, é inimaginável - disse Mauskopf.

Mershon não vinculou os acusados com a organização terrorista Al-Qaeda e informou que o FBI "acredita que esta ameaça foi completamente interrompida".