EUA criticam plano da Turquia para incursão no Iraque

Agência EFE

WASHINGTON - O secretário de Defesa americano, Robert Gates, criticou neste domingo o suposto plano da Turquia de enviar tropas do país ao norte do Iraque para combater os rebeldes curdos que têm seu reduto nesta região.

Gates disse à imprensa em Cingapura que simpatiza com os turcos e compartilha sua preocupação com os ataques dos guerrilheiros. No entanto, o secretário de Defesa disse que acredita que "não ocorrerá nenhuma ação militar unilateral através da fronteira e dentro do Iraque".

Há um mês, o Exército turco intensificou as operações contra o ilegal Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) em regiões do sudeste da Turquia, perto da fronteira iraquiana.

Fontes da província de Sirnak - na fronteira com Síria e Iraque - afirmaram que viram um comboio de cem carros de combate passar pelo centro da cidade em direção à fronteira com o Iraque.

Na quinta-feira, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Yasar Büyükanit, disse que os preparativos já haviam sido feitos para uma incursão no norte do Iraque e que os militares apenas aguardavam a ordem do Governo.

- Já deixei claro que esta operação é uma necessidade militar - afirmou.

- Centenas de turcos morrem todos os anos por causa dos atos terroristas curdos, e estivemos trabalhando com os turcos para tentar ajudá-los a controlar o problema em solo turco - afirmou o chefe do Pentágono.

Na sexta-feira, Gates viajou para Cingapura para participar da conferência sobre segurança na região Ásia-Pacífico chamada "Diálogo de Shangri-La" e deve deixar hoje a cidade-Estado rumo a destino ignorado, por motivos de segurança.

No sábado, o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, pediu à Turquia que respeite a fronteira do país e ressaltou que o Governo de Bagdá não permitirá que o Curdistão iraquiano se transforme em um campo de batalha.

O PKK, cujos militantes armados já fizeram no passado incursões no norte do território iraquiano, pegou em armas em 1984 com o objetivo de conseguir a independência da região do Curdistão, em nome dos 12 milhões de curdos que vivem na Turquia.

Desde então, mais de 35 mil pessoas morreram por causa da violência em uma guerra não declarada entre o PKK e as forças de segurança turcas.

O povo curdo constitui minoria étnica em países como Turquia, Iraque, Síria, Irã, Armênia e Azerbaidjão.

Na mesma entrevista coletiva, Gates se recusou a falar sobre o bombardeio que as forças navais dos Estados Unidos vêm fazendo contra redutos terroristas localizados ao norte da Somália. "É uma operação em andamento", disse.

Antes do encerramento da conferência, o general Peter Pace, chefe da Junta de Chefes de Estado-Maior das Forças Armadas dos Estados Unidos, reuniu-se com o segundo chefe do Estado-Maior do Exército chinês, tenente-general Zhang Qinsheng.

Zhang é o militar de mais alta patente enviado por Pequim à conferência sobre segurança desde que a primeira destas reuniões foi realizada, em 2002.

O tenente-general conversou com Pace sobre o sistema de defesa contra mísseis que, desde 2004, Estados Unidos, Austrália e Japão desenvolvem em conjunto, disseram fontes da delegação americana.

Acredita-se que o projeto de defesa fique pronto em 2011.

Em seu discurso de sábado perante os 13 ministros da Defesa e delegados de 26 países, Zhang afirmou que o sistema antimísseis pode desestabilizar a região.

- Ficamos preocupados com o fato de este tipo de posicionamento desestabilizar a região - disse o militar chinês.

Gates se encontrou ainda com o ministro da Defesa indonésio, Juwono Sudarsono, para retomar a relação bilateral na esfera militar, após anos de raros contatos.

- Falamos da importância de impulsionar as reformas que estão ocorrendo na classe militar indonésia, parte fundamental e inseparável das reformas democráticas - afirmaram os dois países em comunicado conjunto.

Os EUA suspenderam a maior parte de sua ajuda militar à Indonésia devido aos abusos cometidos por suas tropas no Timor-Leste em 1998-1999 durante o processo consultivo que terminou com a independência definitiva do país.