Greve geral convocada por minorias étnicas paralisa o Nepal

Agência EFE

KATMANDU - O Nepal foi paralisado nesta sexta-feira por uma greve geral que afetou transportes, escolas, lojas e fábricas, convocada por um movimento que reúne vários grupos étnicos minoritários, que reivindicam maior representação no Governo.

O presidente da Federação Nepalesa de Nacionalidades Indígenas (NFIN), Pasang Sherpa, disse à Efe que o objetivo é conseguir que as próximas eleições, previstas para novembro, 'sigam um sistema proporcional de representação que leve em conta as minorias étnicas'.

Os oito partidos que formam o Governo provisório chegaram nesta quinta-feira a um acordo para as eleições. No entanto, a NFIN, que engloba vários grupos étnicos minoritários, avisou que não permitirá a votação se as suas reivindicações não forem atendidas.

Até o momento o Governo e a NFIN tiveram três rodadas de conversas. Mas, para a federação de minorias étnicas, 'o Governo não é sério'.

Um porta-voz da Polícia, Sushil Bar Singh Thapa, confirmou à Efe que hoje 'não houve informação de nenhum episódio violento, mas a greve foi efetiva em todo o país'.

No Nepal existem 59 grupos étnicos, e a NFIN quer uma emenda constitucional que garanta pelo menos um representante de cada na Assembléia Constituinte, segundo Sherpa.

A Federação convocou novas greves gerais para os dias 10 e 11 de junho.

O dia de hoje foi escolhido para o protesto porque marca o aniversário de uma polêmica decisão do Tribunal Supremo, de 1 de junho de 1998, que proibiu o uso das línguas de cada região como idioma oficial nos órgãos locais.

O Nepal atravessa um processo de transição que começou em abril, quando um levantamento popular em Katmandu obrigou o rei Gyanendra a renunciar a seus poderes absolutos.