Estudantes venezuelanos preocupados com liberdade de expressão

Agência EFE

CARACAS - Estudantes venezuelanos entregaram, nesta sexta-feira, aos deputados do país um documento no qual expressam sua preocupação com a liberdade de expressão, na Sede da Conferência Episcopal, em Caracas, após terem sua caminhada até a Assembléia Nacional proibida pelas autoridades.

Após a proibição da marcha prevista inicialmente, os manifestantes se encaminharam à sede episcopal, para onde foi também uma comissão de parlamentares, que se reuniu com os estudantes e recebeu o documento.

Pelo quinto dia consecutivo, milhares de estudantes saíram às ruas da capital venezuelana, em protesto contra o fim, no último domingo, das transmissões em sinal aberto da rede de televisão privada 'Radio Caracas Televisión' ("RCTV"), e em defesa da liberdade de expressão.

Não foram registrados incidentes significativos na nova jornada de protestos em Caracas. Ainda assim, houve um momento de tensão, quando os estudantes da Universidad Católica Andrés Belo (Ucab) tentaram se juntar aos demais manifestantes, e foram impedidos por um grande cordão policial.

Além disso, manifestantes da Universidade Central da Venezuela (UCV), a mais importante do país, trocaram ofensas com simpatizantes do Governo, embora sem violência.

Ao chegarem na sede da Ucab, os manifestantes da Universidade Central realizaram uma concentração, após a retirada do cordão policial que impedia sua passagem.

Após a suspensão em definitivo da marcha até a Assembléia, os estudantes se dirigiram à sede da Conferência Episcopal, ao tempo que o deputado Ismael García, do partido governista Podemos, anunciava à imprensa a disposição da Câmara a designar uma comissão para se reunir com os manifestantes.

O encontro foi realizado na sede episcopal, onde os estudantes puderam entregar aos parlamentares o documento, no qual manifestam sua preocupação com a situação da liberdade de expressão na Venezuela, e pedem respeito ao movimento estudantil.

Momentos antes, a Conferência Episcopal venezuelana havia voltado a pedir 'concórdia' às partes, declarando-se disposta a servir de "instância mediadora'.

- Aceitamos que o encontro ocorra aqui -, disse monsenhor Ramón Viloria, secretário da Conferência Episcopal, em declarações à imprensa, enquanto centenas de jovens chegavam à sede.

O secretário disse que 'é necessária uma aproximação entre as partes', e ressaltou a preocupação do Episcopado venezuelano com 'a situação de violência' que pode se instalar no país.

Stalin González, um dos líderes estudantis da UCV, disse esta tarde à Efe que entregou à Prefeitura de Libertador (município de Caracas) uma solicitação de permissão para marchar na próxima segunda-feira até a sede do Tribunal Supremo, no centro de Caracas.

Além disso, o representante estudantil disse estar avaliando a convocação de uma nova marcha até a Assembléia Nacional, desta vez solicitada pela Associação Venezuelana de Reitores, para a próxima semana.

Anteriormente, Eduardo Torres, outro dos representantes estudantis, havia anunciado que, na próxima terça-feira, os estudantes marcharão junto a seus professores até a Assembléia Nacional, em defesa da 'liberdade de expressão e da autonomia universitária'.

- Na terça-feira, chegaremos até a Assembléia Nacional acompanhados dos professores -, disse.

O fim da transmissão da 'RCTV' desencadeou marchas e protestos em toda a Venezuela, protagonizadas, em grande parte, por estudantes.

Segunda-feira, as manifestações foram marcadas por incidentes e violência, com um saldo de trinta pessoas feridas, e quase duzentas detidas.

Na quinta-feira, os estudantes haviam dito que pediriam a alguns deputados que modificassem suas avaliações dos protestos.

A primeira vice-presidente da Assembléia Nacional venezuelana, Desireé Santos, afirmou que os deputados 'não tinham nada a retificar', e reiterou que as manifestações estudantis não são "espontâneas', como dizem os estudantes, mas 'guiadas' pelos partidos de oposição.