Bush alega perigo iraniano para justificar escudo antimísseis

Agência EFE

ROMA - O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, justificou sua intenção de instalar um escudo antimísseis na Europa citando a possibilidade de um míssil iraniano atingir o continente, numa entrevista publicada nesta sexta-feira na imprensa italiana.

- Estou muito preocupado com a possibilidade de que um míssil iraniano possa ser lançado em direção à Europa ou a algum país aliado. Não queremos ser chantageados pelo Irã, disse Bush ao jornal 'La Stampa'.

Ele defendeu assim seu projeto de instalar um escudo antimísseis na fronteira com a Rússia, duramente criticado pelo presidente russo, Vladimir Putin.

- Meu amigo Putin acredita que o escudo é uma ameaça. Mas na realidade ele defenderia o seu país e as nações européias do lançamento de mísseis de países hostis, acrescentou.

Putin declarou ontem que os recentes testes de um novo míssil intercontinental eram uma 'resposta' à corrida armamentista dos EUA, relacionada em boa medida com o escudo antimísseis.

Segundo Bush, as relações com a Rússia são 'transparentes'. Ele acrescentou que enviou o secretário de Defesa, Robert Gates, para convidar Putin a participar da implementação do escudo.

- Quem pensa que a Guerra Fria continua está muito errado. Estamos no século XXI e temos que enfrentar novos desafios: as ideologias extremistas e a proliferação das armas de destruição em massa, opinou Bush.

O presidente americano explica que em sua viagem à Europa para participar da cúpula do G8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo masi a Rússia), que acontecerá na próxima semana em Heiligendamm (Alemanha), reafirmará 'que o dever dos Estados Unidos é promover a democracia no mundo'.

Sobre a mudança climática, Bush disse que os desacordos existentes entre os membros do G8 não ameaçam a reunião, já que cada país tenta dar 'sua contribuição para um acordo'.