Alemanha ergue novo muro para isolar esquerda dos líderes do G8

Agência EFE

BERLIM - O balneário alemão de Heiligendamm já se transformou em uma fortaleza para a realização da cúpula de chefes de Estado e de Governo do G8, que se reunirão entre 6 e 8 de junho, isolados das manifestações antiglobalização por 16 mil policiais e um muro de segurança de 12 quilômetros

A Alemanha destacou um forte esquema de segurança para proteger os dirigentes dos sete países mais industrializados do mundo, além da Rússia (que formam o G8), e dos cinco emergentes - Brasil, México, Índia, China e África do Sul - com a mobilização de mais de mil soldados e o bloqueio de Heiligendamm por terra e mar.

Cerca de 300 organizações ligadas à esquerda se manifestarão em Rostock este sábado, a poucos quilômetros da 'bolha' diplomática de Heiligendamm cercados por um amplo dispositivo de segurança.

Uma manifestação de extrema-direita está convocada para o mesmo dia pelo Partido Nacional Democrático (NPD), na cidade de Schwerin, capital de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, autorizada de última hora pelo tribunal administrativo da cidade.

A cerca de segurança se tornou uma das medidas de segurança mais polêmicas entre as adotadas pela Alemanha, tanto por seu custo de ¬ 12 milhões, considerado elevado, quanto por fazer lembrar o muro de Berlim, que dividiu a cidade e o país durante quase 30 anos.

O alambrado - que contará com sensores e câmaras - terá 2,5 metros de altura e 50 centímetros de espessura, se junta a outras medidas polêmicas, como a interceptação de cartas e o treinamento de cães policiais para o reconhecimento de suspeitos pelo cheiro, técnica comum na antiga Alemanha Oriental.

Nas últimas semanas também foram feitas revistas em locais de encontro de manifestantes de esquerda em cidades como Berlim e Hamburgo.

O Tribunal Superior Administrativo de Greifswald também proibiu toda manifestação ou concentração de grupos antiglobalização em um raio de 5 a 10 quilômetros em torno da cerca de segurança, afastando ainda mais os líderes mundiais dos protestos.

Alguns políticos se mostraram contrários ao cerco de segurança, considerado 'desmedido', já que isolará os dirigentes das maiores potências do mundo das manifestações populares.

A proibição, que já entrou em vigor e será mantida até o fim da cúpula, atinge também o aeroporto da cidade vizinha de Rostock, que grupos antiglobalização tentaram bloquear durante o encontro.

Após a decisão do tribunal de Greifswald, os jornalistas estarão situados no segundo perímetro de segurança do balneário, na localidade de Kühlungsborn, onde também estão hospedadas grande parte das delegações oficiais, as forças de segurança e os organizadores do evento.

Nas últimas semanas, as autoridades alemãs realizaram um censo detalhado, com registro dos habitantes de Heiligendamm, que terão uma documentação especial para poder atravessar o cerco de segurança, e reforçaram o controle de passaportes nas fronteiras com Luxemburgo, França, Bélgica e Holanda.

Desde o começo do reforço das medidas de segurança na área, o número de crimes cometidos por ativistas radicais também aumentou.

Segundo relatório da comissão de Interior do Parlamento alemão, o número já teria chegado a 200, inclusive 30 incêndios.

A chanceler alemã, Angela Merkel, admitiu os protestos dos manifestantes em relação a uma cúpula onde serão debatidas questões polêmicas como a mudança climática e as ajudas ao continente africano, mas pediu que os grupos contribuam para evitar a violência.