Primeiro-ministro da Índia pede unidade entre hindus e muçulmanos

Agência EFE

NOVA DÉLHI - O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, fez nesta quinta-feira um apelo à 'unidade' entre hindus e muçulmanos para comemorar os 150 anos da rebelião dos 'sepoys' contra o Império britânico, considerada no país a primeira guerra da independência.

- As ações de 1857 constituem um grande testemunho e tributo à tradição de unidade entre hindus e muçulmanos na Índia, afirmou Singh no Parlamento, segundo um comunicado oficial.

Na celebração, o primeiro-ministro parafraseou o historiador e ex-ministro da Educação Maulana Abul Kalam Azad. Ele opinou que 'a vida em comum desenvolveu entre hindus e muçulmanos um sentimento de irmandade e simpatia'.

Singh, primeiro membro da comunidade religiosa sique a se tornar chefe do Governo, foi sempre um defensor radical dos direitos da minoria muçulmana, que representa 11% da população indiana. Ele tem recebido por isso duras críticas do maior partido da oposição, o nacionalista BJP.

- Não houve divisão entre hindus e muçulmanos em sua resistência à dominação estrangeira, lembrou Singh. Ele ressaltou em seu discurso no Parlamento que 'a Índia abdicou conscientemente da violência como instrumento de mudança política e social'.

O Parlamento indiano fez um minuto de silêncio em memória dos rebeldes que morreram na luta contra o Império britânico. Vários poemas foram lidos para homenagear os heróis da independência.

Em 10 de maio de 1857, os 'sepoys' (soldados indianos sob comando britânico) se amotinaram e atacaram os símbolos do poder imperial. O estopim da rebelião foi a utilização de cartuchos cobertos com gordura de vaca, uma prática que vai contra a tradição hindu, para a qual o animal é sagrado.

A Índia fechará na próxima sexta-feira a semana de comemoração da rebelião com uma cerimônia na capital, Nova Délhi, e uma marcha de crianças rumo ao histórico Forte Vermelho da cidade.