Egito e Jordânia promovem iniciativa de paz e devem ir a Israel

Agência EFE

CAIRO - A ministra do Exterior de Israel, Tzipi Livni, reuniu-se nesta quinta-feira no Cairo com os colegas do Egito e da Jordânia, que apresentaram a iniciativa de paz árabe e se comprometeram a fazer uma viagem a Israel em breve, em data indeterminada.

Já Livni afirmou que o Governo israelense não deseja a estagnação do atual processo de paz e disse aos jornalistas que a reunião desta quinta-feira foi "apenas o começo".

As conversas entre os três países são as primeiras realizadas após a Liga Árabe ter encarregado Egito e Jordânia (únicos países árabes da região que possuem relações diplomáticas com Israel) de fazer contato com o Estado judeu para promover a iniciativa.

A iniciativa de paz árabe oferece o reconhecimento do Estado de Israel por todos os países árabes em troca da retirada dos israelenses de todos os territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias, de 1967 (Cisjordânia, Faxia de Gaza e Colinas do Golã), além de permitir a volta dos refugiados palestinos. O último ponto é um dos mais delicados.

Livni destacou a importância do papel do mundo árabe em "encorajar" as diferentes partes a alcançar a paz na região.

No entanto, o ministro do Exterior egípcio, Ahmed Aboul Gheit, disse que o papel da Liga Árabe se limita a preparar o terreno para que as partes em conflito dêem início às negociações.

- Não somos nós os que podemos negociar com Israel. Quem tem que fazê-lo são as partes envolvidas: os palestinos, o Líbano e a Síria - disse Gheit.

A menção ao Líbano se refere às conflituosas Fazendas de Chebaa, reivindicadas por Beirute, apesar de Israel considerá-las sírias.

Segundo Livni, a reunião desta quinta-feira de uma hora e meia com os diplomatas árabes "foi muito boa e pode ajudar a alcançar a paz".

Em meio a fortes medidas de segurança, a ministra conversou com os chanceleres vizinhos durante um almoço organizado na sede do Ministério egípcio.

Livni se recusou a dar detalhes sobre as conversas entre os três países. Limitou-se apenas a informar que se tratava de uma reunião preparatória e que a próxima será realizada em Israel, mas ainda sem data estabelecida.

Gheit reiterou que a paz deve ter como base a idéia de "paz por territórios" estabelecida na Conferência de Madri de 1991 e as resoluções 242 e 338 do Conselho de Segurança da ONU, que pedem que Israel se retire dos territórios ocupados.

Mais cedo, Livni conversou com o presidente egípcio, Hosni Mubarak, e com Gheit, em reunião que chamou de "não apenas importante, mas histórica".

No entanto, a capacidade do Governo israelense de negociar a paz com os árabes foi posta hoje em dúvida em Damasco pelo próprio presidente da Síria, Bashar al-Assad. Entretanto, ele não mencionou diretamente a reunião desta quinta-feira no Cairo.

- Neste momento, Israel não tem capacidade para uma paz justa e permanente, principalmente pela ausência de um Governo forte capaz de adotar decisões estratégicas e cruciais - disse Assad, na abertura do novo Parlamento sírio.

O presidente se referia à grave crise pela qual passa o Governo do primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert.

A renúncia dele é pedida cada vez mais por amplos setores em Israel. Assad negou ainda ter tido contatos públicos ou secretos com Israel para a paz.