Conselho de Segurança da ONU mantém impasse sobre o Kosovo

Agência EFE

KOSOVO - Os membros do Conselho de Segurança da ONU mantiveram nesta quinta-feira posturas irreconciliáveis sobre o futuro da província sérvia do Kosovo, com Rússia se opondo à proposta para uma "independência supervisionada" e insistindo na necessidade de continuar as negociações.

Os 15 membros do Conselho realizaram uma reunião aberta para debater o relatório sobre a missão enviada no mês passado à Sérvia para avaliar prática dos padrões estabelecidos na resolução 1244, aprovada em junho de 1999, antes de decidir o status político da província.

Os Estados Unidos e os países da União Européia (UE) enfrentam a posição da Rússia.

O impasse sugere que as negociações até uma resolução sobre o futuro do Kosovo no Conselho serão intensas.

Os EUA e a UE circularam uma minuta com pontos propostos para a resolução, que seria redigida sob o Capítulo VII da Carta da ONU - que inclui a opção militar para sua implementação.

O documento contempla plenamente as recomendações do mediador da ONU, o finlandês Martti Ahtisaari, de uma "independência supervisionada internacionalmente", que significaria o fim da atual Missão de Administração da ONU no Kosovo (Unmik).

Por outro lado, seria nomeado um representante civil internacional e mantida uma presença militar estrangeira.

- Os EUA apóiam o plano de Ahtisaari como a melhor opção. A situação atual não é sustentável - declarou o embaixador americano na ONU, Zalmay Khalilzad.

Ele afirmou que uma declaração unilateral de independência poderia ser prejudicial.

Khalilzad reconheceu que haveria "dificuldades" na negociação da resolução, especialmente em questões como o retorno dos refugiados, mas que a proposta já conta com os nove votos necessários para aprová-la - se a Rússia não usar o veto.

A Rússia, aliada histórica da Sérvia, é contrária à concessão da independência ao Kosovo e apresentou elementos para uma minuta de resolução.

Nela, há um apelo à retirada da Unmik e ao estabelecimento de uma missão civil internacional, com uma crescente implicação da União Européia na implementação dos padrões democráticos.

As normas fazem referência à proteção das minorias étnicas e o respeito a seus direitos, e o retorno seguro dos refugiados, na maioria sérvios.

O embaixador russo na ONU, Vitáliy Tchurkin, disse que as posições são "irreconciliáveis" e que esta é a razão pela qual existem duas propostas para uma resolução.

Tchurkin assegurou que seu país não defende uma manutenção do status quo, mas reiterou que as negociações devem continuar para que as partes cheguem a um acordo.

- Nunca antes se concedeu independência a uma região autônoma.

Todas as opções disponíveis devem ser usadas - disse.

Tchurkin recebeu positivamente a idéia do embaixador do Panamá, Ricardo Alberto Arias, que propôs a continuação das negociações por um período de seis meses, mas se mostrou contrário a impor um limite de tempo.

Diante do temor de recruscederem incidentes como os ataques de albaneses contra sérvios em março de 2004 se não for declarada uma independência, o diplomata russo afirmou que "a violência não pode ditar o processo político".

A província do Kosovo está sob protetorado interino da ONU, enquanto em seu território está mobilizada a Força para o Kosovo (KFOR) da Otan desde que o fim da guerra, em junho de 1999.