Ex- líder do Equador se pronuncia sobre a união da América Latina

Agência EFE

QUITO - O ex-presidente do Equador Rodrigo Borja aceitou hoje a Secretaria da União de Nações Sul-Americanas (Unasur) e disse que a integração da região é uma 'resposta válida' ao 'ambiente hostil' internacional, especialmente na área econômica.

- A integração regional é uma resposta válida e eficaz para formar uma frente única de negociação diante dos centros geopolíticos e geoeconômicos que se estabeleceram no mundo, especialmente a partir do fim da Guerra Fria-, disse Borja. - A resposta, mandada pelo instinto de conservação de todos os nossos países, deve ser a integração econômica, primeiro, e política, depois-, acrescentou.

Para Borja, a missão da Unasur é - avançar rumo à integração, aproveitando as conquistas e também as frustrações dos processos de integração regionais-.

- Esses processos têm de ser considerados como uma primeira, frutífera e fundamental etapa no caminho da integração. É preciso ir do sub-regional em matéria de integração ao regional', afirmou.

O ex-presidente argumenta que a integração política e econômica da América do Sul é - um instrumento formidável para o desenvolvimento humano, social e econômico dos países-.

Outras das missões do organismo sul-americano seriam harmonizar, articular e estabelecer prioridades em relação a uma enorme quantidade de projetos e iniciativas existentes para a integração regional, afirmou Borja. Ele acredita ser indispensável o incentivo à cooperação Sul-Sul.

- É preciso buscar na união a força de nossos países para defender seus interesses corporativos contra o fortalecimento das corporações transnacionais-, assinalou.

Outra das funções da Unasur, segundo Rodrigo Borja, será corrigir as assimetrias e iniqüidades da globalização, assim como contribuir para diminuir as tensões que, por diversos motivos, surgiram nos últimos anos entre vários países da América do Sul.

O político equatoriano também aposta em incentivar o desenvolvimento sustentável, promover a integração científica e tecnológica, assim como dar prioridade às obras de infra-estrutura física na região.

- A Unasur avançará conforme a vontade e a decisão política dos Governos da América do Sul-, expressou Borja, definindo-se como um socialista democrático.

O ex-presidente se mostrou a favor da criação do Banco e do Fundo do Sul, para fazer frente aos organismos multilaterais de crédito tradicionais. No entanto, esclareceu que a idéia não é competir, mas formar uma frente única de negociação e defesa.

Borja esclareceu que a Unasur não intervirá no conflito colombiano, pois 'não é uma entidade supranacional', mas intergovernamental. Afirmou que não vê problemas nas diferenças ideológicas entre países.

- A secretaria tem que estar acima dessas diferenças, porque responde à América do Sul em seu conjunto-, explicou Borja. Ele disse, ainda, que outra das metas da instituição é a adoção de uma moeda única.

A União de Nações Sul-Americanas é uma iniciativa lançada em 2004 em Cuzco, no Peru, para unir os dois blocos regionais do continente, o Mercosul e a Comunidade Andina, mais Chile, Guiana e Suriname.