Dalai Lama cancela viagem à Bélgica devido a objeções de Pequim

Agência EFE

BRUXELAS - O Dalai Lama, líder espiritual tibetano, decidiu cancelar a viagem à Bélgica esta semana depois que as autoridades belgas o avisaram sobre as objeções da China à sua visita, afirmou nesta quarta-feira o Ministério de Assuntos Exteriores do país europeu.

- Informamos ao Dalai Lama sobre as objeções chinesas e ele mesmo decidiu não vir, disse à EFE o porta-voz do Ministério do Exterior, Marc Michielsen. Ele afirmou que as autoridades belgas não fizeram nenhum pedido ao Dalai Lama e explicou que o religioso 'é livre para vir à Bélgica e, se o fizer, será bem-vindo'.

O líder espiritual tibetano, cujas visitas ao exterior irritam a China, viajaria para Bruxelas para comparecer à 5ª Conferência internacional de grupos de apoio ao Tibete. O evento acontece na cidade entre 11 e 14 de maio e é organizado pelo Governo tibetano no exílio, pelo grupo interparlamentar belga para o Tibete e pela Fundação Friedrich Naumann.

Segundo o jornal 'La Libre Belgique', a viagem do Dalai Lama poderia prejudicar a visita que o príncipe Philippe da Bélgica deve fazer à China entre os dias 16 e 26 de junho, à frente de uma missão comercial.

Em 2005, o Dalai Lama também teve que cancelar sua visita ao país, por ter coincidido com a feita pelo rei Alberto II da Bélgica a Pequim.

O líder espiritual da comunidade tibetana no exílio mantém como política não prejudicar as relações entre a China e os outros países.

A presidente do Senado belga, Anne-Marie Lizin, lamentou nesta quarta-feira o adiamento da viagem do Dalai Lama.

- Lamento profundamente que ele não tenha podido vir ao meu país, que é aberto a todos, seja qual for a religião, disse em nota a socialista Lizin. Ela acrescentou ter consciência da importância do evento ao qual o líder budista desejava comparecer.

A China ocupou militarmente o Tibet em 1959 e, segundo grupos de direitos humanos, exerceu uma dura repressão da cultura e religião tibetanas nas décadas de 1960 e 1970. Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama, não é reconhecido por Pequim, que nomeou como alternativa o Panchen Lama.