Ajuda dos EUA à Colômbia não faz aumentar preço da cocaína

REUTERS

WASHINGTON - A ajuda de bilhões de dólares enviada à Colômbia pelos Estados Unidos não conseguiu fazer com que aumentasse o preço da cocaína nas ruas das cidades norte-americanas, afirmou na terça-feira a chefe da principal agência dos EUA de combate ao narcotráfico.

Autoridades norte-americanas afirmavam que as operações de fumigação de plantações de coca e as pressões militares exercidas sobre as guerrilhas e os paramilitares envolvidos com o tráfico colombiano fariam aumentar o preço da cocaína nos EUA.

O governo norte-americano deu início ao pacote de ajuda em 2000.

Mas Karen Tandy, chefe da DEA (a agência de combate ao narcotráfico), disse que os preços mais altos um indicador importante do sucesso no combate às drogas não conseguiram sustentar-se por muito tempo.

- O desafio para nós é aumentar o preço e manter esse preço alto - afirmou Tandy a repórteres em uma conferência sobre questões de segurança realizada na Espanha, principal porta de entrada do crescente fluxo de cocaína que chega à Europa.

Os comentários dela possuem uma importância especial neste momento, quando o presidente dos EUA, George W. Bush, tenta convencer o Congresso do país a aprovar o envio de mais 3,9 bilhões de dólares em ajuda à Colômbia.

O preço da droga no território norte-americano chegou a subir mais de 50% por cerca em até sete meses como consequência das operações de combate ao tráfico, afirmou Tandy. Mas acabou recuando.

Segundo autoridades colombianas e norte-americanas, o fracasso em fazer com que se eleve o preço da cocaína pode ser resultado de vários fatores, entre os quais a possibilidade de estoques da droga terem começado a ser despejados no mercado.

Mas, segundo alguns analistas, esse fato mostra que o Plano Colômbia não tem conseguido reduzir a produção de cocaína na proporção que se esperava e que as drogas continuarão a ser vendidas enquanto houver pessoas dispostas a comprá-las.

O presidente colombiano, Alvaro Uribe, é o principal aliado dos EUA na América Latina, mas o governo norte-americano enfrenta uma crescente resistência do Congresso na aprovação de ajuda ao país. Isso devido a acusações de envolvimento de parlamentares colombianos da base governista com grupos paramilitares de extrema direita.

Essas são acusações que estão sendo investigadas na Colômbia e, segundo Uribe, os infratores serão punidos.

O governo colombiano diz que o combate às drogas privou os rebeldes esquerdistas e os paramilitares de direita de parte de sua fonte de verba e aponta para a acentuada queda nos níveis de violência registrada no país nos últimos anos.