Sérvia espera que missão de ONU no Kosovo veja os direitos humanos

Agência EFE

PARIS - O ministro de Assuntos Exteriores sérvio, Vuk Draskovic, se mostrou hoje esperançoso com a missão do Conselho de Segurança da ONU, que amanhã e depois estará no Kosovo, porque isto permitirá ter uma idéia do 'inferno' dos direitos humanos vivido na província.

- É melhor que vão ao Kosovo em vez de ficar nos escritórios, disse Draskovic em entrevista coletiva em Paris, que assinalou que se os membros da missão forem à região poderão comprovar que 'as crianças sérvias não podem brincar na rua' pelas ameaças à sua segurança por parte da maioria albanesa.

Draskovic afirmou que 'o inferno dos direitos humanos está no Kosovo', e que, nos oito anos em que esse território está sob administração da ONU, 'mais de mil civis sérvios foram assassinados', entre eles crianças.

O chanceler também denunciou que nesse tempo mais de 220 mil sérvios e membros de outras minorias 'foram expulsos' dessa província independentista.

O ministro das Relações Exteriores sérvio, que está em Paris para se reunir com responsáveis da Chancelaria francesa e com outras personalidades políticas e acadêmicas da França, reiterou sua rejeição ao plano em favor da independência do Kosovo do mediador da ONU Martti Ahtisaari.

- A Sérvia nunca reconhecerá, nem nunca aceitará a independência do Kosovo, que seria 'uma tragédia' porque essa província constitui "a origem do Estado sérvio' e abriga as principais igrejas e mosteiros da cultura cristã sérvia, assinalou.

Draskovic se mostrou 'disposto a negociar com todo o mundo' e a esse respeito reiterou sua proposta de 'uma autonomia substancial'

para o Kosovo, porque 'é normal que os albaneses queiram governar os territórios onde são majoritários'.

- O Kosovo conta para a Sérvia mais que Toledo para a Espanha, o Piemonte para a Itália ou Reims para a França, afirmou.

Dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, Estados Unidos, França e Reino Unido apóiam o plano de Ahtisaari, enquanto a China e, sobretudo, a Rússia se opõem. Moscou ameaçou utilizar seu direito de veto.

O ministro sérvio, que acaba de receber em Belgrado seu colega russo, Serguei Lavrov, disse que este repetiu que defenderia as fronteiras atuais, em nome do respeito à Carta das Nações Unidas, e também aos direitos das minorias não-albanesas.

Draskovic aludiu ao direito de veto da Rússia e advertiu que uma eventual independência do Kosovo criaria um antecedente. Ele questionou sobre quem poderá deter amanhã outra independência, citando casos como o Cáucaso, a Escócia e o País Basco.

Draskovic também preveniu que esse cenário 'erodiria o entusiasmo europeísta' dos sérvios, já que agora mais de 70% são favoráveis à integração na União Européia. Ele se mostrou convencido de que, se houvesse um voto secreto, a maioria dos países da UE se pronunciaria contra a independência do Kosovo.